PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 1º dia

Data: 15/10/2018

É isso mesmo que você está lendo, o título está correto. Conforme divulgamos nas nossas redes sociais, não foi desta vez que chegamos a Ushuaia. Por motivos de problemas na moto, que iremos relatar mais adiante, só conseguimos ir até Bariloche.  Mas decidimos mesmo assim relatar aqui a nossa viagem, pelo menos onde foi possível chegar, pois acreditamos não haver motivos para não compartilharmos o que deu certo e também o que deu errado em nossa aventura. E, verdade seja dita, Bariloche não é nada ruim. Já saímos do Brasil com uma sensação estranha, replanejando todo o nosso roteiro, decidimos descer direto pela Ruta 40 e evitar o Chile (de fato, constatamos que fazer Ushuaia via Carretera Austral do inicio ao fim, mais Torres Del Paine, era um plano bastante megalomaníaco para apenas 30 dias no ritmo que costumamos fazer nossas viagens). Enfim, foi uma experiência diferente da nossa ida ao Atacama em 2017, mas cada experiência é única e a vida é assim mesmo, não somos os únicos a ter passado por isso. Ficamos chateados, com certeza, mas tentamos fazer dos limões uma limonada e podemos dizer que ela ficou ótima. No fim, existiu uma viagem, ela só teve um destino diferente.

Partiu!

Então, neste dia 15 de outubro, saímos de manhã cedo de Porto Alegre para irmos até Uruguaiana pela BR-290. O trajeto foi tranquilo e o tempo estava bom, tirando os buracos costumeiros aqui e ali nas nossas estradas e o enorme tráfego de caminhões, tudo correu bem. Paramos duas vezes para abastecer, no primeiro posto gastamos R$ 53,00 e no segundo R$ 54,00.

BR-290

As estradas no RS (sejam elas federais ou não) realmente não andam lá essas coisas.

Ah, os caminhões…

Paramos um pouco antes de Rosário do Sul para comer um lanche, recomendamos o pastel do Restaurante Le Sorelle (fica à beira da BR-290, ao lado do posto Shell), estava maravilhoso.

 

Pausa para o almoço
Seguindo viagem que tem chão pela frente.

A velocidade se mantinha nessa média
Quase

Chegamos em Uruguaiana por volta das 16h30 depois de rodarmos um total de 620 Km. Nos hospedamos no Hostel Solar dos Tchuccos, que fica bem perto da ponte internacional para Paso de los Libres. A diária saiu R$ 120,00 o quarto para casal, eles só não servem café da manhã. Apesar disso, o dono da pousada, Sr. Fabiano é muito atencioso e prestativo, e o hostel oferece uma linda vista do por do sol e da ponte.

Área interna do hostel

Vista da ponte internacional
🙂

De tardezinha, fomos até a praça central de Uruguaiana e comemos um sanduíche no Subway, estávamos muito cansados. Contando os gastos com alimentação, mais hospedagem e combustível, a despesa do dia foi de R$ 275,00. Fomos descansar cedo para encarar a aduana argentina no dia seguinte. Até mais e pé na estrada!

De volta a Cambará do Sul

Somos brasileiros e não desistimos nunca! Dia de voltar a Cambará do Sul para continuarmos aquela viagem interrompida no feriado de Pascoa. Pegamos o fim de semana dos dias 29 e 30 de abril, perto do feriado do Dia do Trabalhador. Pegamos o mesmo caminho até Cambará, nem precisamos mostrar de novo.

Desta vez ficamos na área de camping da Fazenda Pindorama, pois estava tendo um evento na Pousada das Corucacas, esta estava lotada. As pousadas/fazendas são bem próximas uma da outra.

Fachada da Fazenda Pindorama.

A área de camping não é muito grande, mas é muito bem organizada, com uma boa estrutura. Tem banheiros, bastante limpos e organizados, e uma cozinha para uso coletivo.

Armamos a barraca e descansamos um pouco antes de preparar o almoço. Durante o dia até fez calor, mas sabíamos que ao cair da noite iria esfriar. É hoje que iríamos testar os sacos de dormir e os isolantes térmicos. Levamos um isolante de EVA e um inflável da CAMP e mais um travesseiro inflável da Guepardo.

A foto é repetida, é que esquecemos de tirar foto dos isolantes térmicos :-\

Continuamos com o nosso kit cozinha improvisado, usamos o nosso kit talher da Nautika, que na verdade é um canivete que vem com talheres, saca-rolhas e abridor de lata. Como panela, usamos aqueles recipientes de colocar marmita (em breve teremos panelas novas para camping) e para cozinhar, o bom e velho fogareiro e cartucho de gás da Nautika.

Após o almoço, nos preparamos para ir ao cânion Fortaleza. Conforme explicamos na postagem anterior, ele fica dentro do Parque Nacional da Serra Geral, a aproximadamente uns 20 km de onde estávamos acampados. Metade do caminho até lá é de chão batido, com muita pedra, então rezamos para tudo dar certo dessa vez, já que o tempo estava ensolarado, com o céu limpo, sem neblina.

Rota para o Cânion Fortaleza.

Felizmente deu tudo certo e chegamos ao cânion Fortaleza. A trilha até lá é uma subida de 1 km. Não estávamos com as roupas mais adequadas para uma trilha, mas devagarinho fomos chegando ao topo do cânion. O parque fica aberto só até às 18h00, logo, é sempre bom chegar cedo lá.

Na volta foi possível ver o bonito entardecer da serra gaúcha.

Chegamos de volta ao camping antes do anoitecer, já havia mais barracas do que quando saímos para o passeio. Conforme anoitecia, a temperatura caía.

A noite foi agitada, não foi possível dormir muito, não tanto pelo frio, mas por causa de um dos hóspedes do camping que sofria de apneia do sono e estava em uma barraca próxima à nossa. Para dizer a verdade, todo o camping teve dificuldades para dormir por causa dos roncos, era um caso preocupante. Bem, voltando ao frio: Os sacos de dormir são bons, aguentam baixas temperaturas, mas sempre combinados com bons isolantes térmicos. Concluímos que o isolante de EVA, embora seja eficaz para proteger do frio, é desconfortável e faz muito volume na bagagem. O isolante inflável da CAMP é prático para armazenar, porém deve estar bem cheio e quem for utilizá-lo deve evitar se mexer muito durante a noite. Não tiramos foto do nosso isolante térmico, então achamos essa imagem dele na internet, para ilustrar:

Fonte: Google imagens.

Talvez devêssemos tentar outra marca, com um formato diferente.

Enfim, acordamos cedo e resolvemos fazer um café, que hoje o passeio continua. Esquecemos do suporte para colocar o filtro do café, então até isso foi no improviso.

O caminho para o cânion Itaimbezinho é um pouco mais longo, mas a estrada é um pouco melhor.

Rota para o Cânion Itaimbezinho.

Este cânion fica dentro do Parque Nacional dos Aparados da Serra. A trilha até lá é plana, mas são 6 km de caminhada, sendo 3 km para ir e 3 km para voltar.

Aí sim 😉

Esses coletores de nevoeiro são parte de um projeto de pesquisa das universidades federais de São Paulo (USP), Goiás (UFG) e Santa Maria (UFSM).

 

Um conselho para quem for fazer esta trilha, leve algo para comer e bastante água.

De volta ao camping, era hora do almoço, fizemos o de sempre e levantamos acampamento para retornar à capital antes do anoitecer.

A volta foi tranquila, pela RS-020. Ficamos satisfeitos que tudo deu certo dessa vez, o amortecedor suportou a estrada até os cânions, o tempo bom ajudou e nos foi possível ter mais uma noção sobre os equipamentos de camping para a viagem do final do ano, principalmente os isolantes térmicos, tão essenciais na Patagônia. Continuaremos nas próximas postagens apresentando um pouco mais do nosso planejamento para Ushuaia. Obrigado por nos acompanhar até aqui.

Abraços e pé na estrada!

Quando (quase) acampamos em Cambará do Sul

Bom dia amigos e amigas da estrada! Dando continuidade ao plano de acamparmos na serra para testar alguns equipamentos, nos planejamos para ir para Cambará do Sul no feriado de Páscoa. Essa cidade, que fica a uns 200 km de distância de Porto Alegre, é quase na fronteira com SC e é onde se localizam os cânions Fortaleza e Itaimbezinho. Como esta época já é de frio, vamos testar a eficácia dos nossos sacos de dormir e dos isolantes térmicos.

Saímos de Porto Alegre de manhã bem cedo, pois hoje a estrada é um pouco mais longa. Para chegar lá é só subir direto pela RS-020 por Taquara e São Francisco de Paula.

Não conseguimos tirar uma foto melhor que essa, desculpem 🙁

Chegamos lá por volta das 13h00 e fomos direto para a Pousada das Corucacas. É uma pousada que fica numa fazenda (com o mesmo nome), que tem cabanas e área de camping, passeios a cavalo, caminhadas na mata nativa e pesca esportiva. Para quem se interessar, segue o link: http://www.corucacas.com.br/index.html

Montamos a barraca e fomos preparar o almoço, pois já passava das 14h00, o tempo estava feio e queríamos ir no cânion Fortaleza ainda naquele dia. Mas as coisas acabaram não saindo conforme o esperado.

O cânion Fortaleza fica dentro do Parque Nacional da Serra Geral, há aproximadamente 20 km da pousada. Mais da metade deste trajeto é de chão batido, com muitas pedras. O céu estava nublado, fazia frio e havia uma neblina muito forte, a nossa visibilidade estava bastante comprometida. Não conseguíamos enxergar direito para onde estávamos indo. Chegamos a pensar que talvez não fosse um bom dia para irmos até lá.

Esse pensamento se confirmou quando, após rodarmos uns 5 km no chão batido, passamos por uma pedra enorme e o amortecedor não aguentou. Escutamos um barulho e a traseira da moto desceu. Fim da linha para nós. Dali em diante era ver como sairíamos dali. Um casal até ofereceu ajuda, mas estavam em um carro pequeno, não tinha muito o que fazer. Mas conseguimos, não sabemos como, retornar com a moto assim mesmo, a 10 km/h, para a pousada e de lá acionar a seguradora.

A moto “rebaixada”.

Após o contato com a Porto Seguro, como nos deram uma previsão de apenas uma hora para nos resgatar, decidimos desarmar a barraca e guardamos tudo na bagagem. Após levantarmos todo o acampamento, mudaram a previsão para 3 horas, pois o caminhão estava vindo do litoral e teria que fazer toda a volta pela Rota do Sol, pois ele não conseguiria vir pela Serra do Faxinal. Já estava escuro para montar a barraca e tudo de novo, só nos restou aguardar o resgate.

Registro da moto sendo recolhida pelo guincho da seguradora.

O caminhão guincho da seguradora chegou por volta das 20h30. O dono da pousada, o Seu Roberto, a gentileza em pessoa, não nos cobrou nada (pois não pernoitamos) e nos prestou toda a assistência possível. Somos muito gratos. Chegamos em casa eram quase 23h30, não registramos mais nada pois o cansaço era imenso. Segue o estado do amortecedor após o incidente:

Já o enviamos para revisão em SP e já o recebemos de volta.

No final fica o sentimento, a chateação pelo acontecido, pela viagem ter sido interrompida e todo o transtorno, mas tudo isso faz parte. Talvez seja um sinal de que devemos ir em outro momento, com o céu limpo e mais preparados. O próximo feriado é o de 1º de Maio, vamos nos organizar para voltar a Cambará. Nos desejem sorte da próxima vez!

Abraços e pé na estrada!

 

Acampando no Parque da Cachoeira (Canela/RS)

Bom dia, amigos e amigas da estrada! Conforme abordamos na postagem anterior, o nosso plano de ir a Ushuaia em outubro requer preparação, planejamento e organização. Como pretendemos acampar durante esta viagem, decidimos testar alguns equipamentos por aqui pela serra gaúcha, porém, cientes de que o frio não é o mesmo… rsrsrs. Mas, pelo menos, treinar o seu manuseio e também para ir se acostumando com os diferentes ambientes de camping, já que uns terão mais estruturas que outros.

No fim de semana dos dias 02 e 03 de fevereiro deste ano fomos ao Parque da Cachoeira, em Canela/RS. Ainda era verão, então nosso foco era a organização do volume da bagagem. Aqui uma foto do que estamos levando: barraca, sacos de dormir, saco estanque para guardar roupas, isolantes térmicos, travesseiros infláveis, kit cozinha (panela, cantil p/ água com caneca embutida, talheres e duas canecas), comida, fogareiro e cartucho de gás.

Para quem não conhece, o parque fica localizado na RS-476, entre Canela e São Francisco de Paula, a uns 150 km de Porto Alegre. O parque possui uma estrutura com cabanas, áreas de camping, e realiza atividades como rapel e trilhas. Para quem tiver interesse, segue o link do site: http://www.parquedacachoeira.com.br/

Saímos de Porto Alegre pela BR-116 por Novo Hamburgo e subimos até lá, via Nova Petrópolis, pela RS-235.

Trajeto de ida até o Parque da Cachoeira pela RS-235.
Essa rota aqui também é conhecida como Rota Romântica.

Esse trajeto é o mais longo, mas vale a pena só de passar por Nova Petrópolis e Gramado.

O preço já não estava lá essas coisas…

Na rotatória do Parque do Saiqui, na RS-235 tem o acesso para a RS-476, e aí são aproximadamente 10 km de chão batido (e muita pedra) até o Parque da Cachoeira. Ele fica em frente à ponte de ferro de um acesso chamado Passo do Inferno, no encontro dos rios Cará e Santa Cruz.

Já havíamos rodado uns 3 km após entrarmos na RS-476.

Placa ao lado da ponte de ferro.
Entrada do parque.

O valor do camping na época estava R$ 40,00 por pessoa (valor adulto). Achamos caro, mas já conhecemos a estrutura deste parque, na verdade já o freqüentamos desde 2010, mas só tínhamos ficado nas cabanas. Escolhemos um local e armamos a barraca. A nossa é a Nepal para 2 pessoas, da Azteq. Bem fácil e prática de armar e desarmar.

Já era hora do almoço. Estamos em processo de aprendizado na culinária de camping, então, por agora, não conseguimos pensar em nada além de arroz com atum. Sustenta, mas estamos aceitando dicas para variar um pouco o cardápio, de forma prática, barata e boa.

Nosso kit cozinha ainda é bem rudimentar. Usamos a caneca do cantil para ferver água e usamos como “prato” também. Aí um de nós come na panelinha, onde a comida foi feita, e o outro come na caneca do cantil. É prático, é. Mas é um improviso, vamos aprimorar esta parte também, assim como o armazenamento correto dos alimentos.

Já havíamos testado o fogareiro e o cartucho de gás Tekgas 230g da Nautika, ele dura bastante até. Mas pensamos em levar um de reserva para Ushuaia, já que acamparemos bastante.

De barriga cheia, hora de visitar a cachoeira do rio Cará. Tem áreas demarcadas onde o banho é permitido. Ali tem muitas árvores de pinus e parreiras, a gente sente o cheiro conforme vai se aproximando da área de camping.

Quando foi anoitecendo, a temperatura caiu um pouco, mas nada muito drástico. Não foi como o Dia dos Namorados de 2016, por exemplo. Aqui sim seria bom como um “treinamento”.

Foto do dia 12/06/2016.
Ainda era outono.
Isso aqui é o mínimo que a gente espera da Patagônia.
Aqui tava moleza.

A noite foi tranquila, dormimos bem. Ainda não sabemos como será dormir (ou tentar pelo menos) no frio da Patagônia. Mas ainda temos tempo e todo um inverno pela frente. Hora de levantar, fazer um café para acordar, e pegar a estrada de volta, pois temos compromissos familiares nos aguardando que não nos permitiram nos estender por todo o fim de semana neste lugar maravilhoso.

Na hora de desarmar a barraca, um aprendizado muito importante para todos nós: sempre sacudir bem a barraca antes de guardar e as botas antes de calçar.

Nós nunca estamos sozinhos na mata.

Saímos ainda de manhã do parque e, dessa vez, voltamos para Porto Alegre pela RS-020 descendo por Taquara e Gravataí.

Trajeto de volta para Porto Alegre.

RS-020.

Acho que para o dia de hoje é isso. Em relação à bagagem, concluímos que o nosso saco de dormir de inverno, que é o Super Pluma da Trilhas e Rumos, apesar de muito bom para proteger do frio (conforto +6ºC, tolerância +4ºC e extremo 0ºC), é muito volumoso. Pensamos na possibilidade de utilizarmos sacos de dormir de verão e adicionar liners a eles, que podem nos dar um ganho de temperatura de até 15ºC. Vamos ver. Ainda temos outros campings pela frente para acertos e erros, e tudo vira aprendizado. Como na próxima postagem, que contaremos uma empreitada que não saiu muito conforme o planejado no feriado de páscoa em Cambará do Sul. Fiquem ligados.

Abraços e pé na estrada!

 

A próxima viagem

Olá amigos e amigas da estrada! Vocês puderam acompanhar até aqui os nossos relatos e imagens da viagem que fizemos ao Atacama em outubro de 2017, e, entre tantas coisas boas para se guardar dessa jornada, ficaram muitos aprendizados. O principal deles é que queremos continuar a explorar as estradas por aí afora até onde a vida nos permitir, já que existem muitos lugares maravilhosos que ainda não conhecemos. Então, decidimos que este ano vamos até Ushuaia, percorrendo toda a Carretera Austral, e queremos seguir compartilhando essa jornada com vocês.

Assim como a viagem do Atacama, estamos tentando planejar tudo com a maior antecedência possível. Neste caso, até mais, pois é uma viagem mais longa. Para o Atacama foram 17 dias no total, agora, para o Ushuaia vai dar aproximadamente  uns 30.

Outra situação inédita é que, dessa vez, vamos acampar em algumas das cidades do trajeto. Não temos experiência com viagens longas acampando, então estamos pesquisando o máximo possível sobre equipamentos que suportem as temperaturas da Patagônia. Nos demais locais, ficaremos em hostels, até para carregar as baterias dos equipamentos eletrônicos, e reservar uns dias para um chuveiro mais decente e uma cama não faz mal a ninguém.

Estamos no mês de junho aqui no RS, então, como parte do planejamento, estamos aproveitando as baixas temperaturas aqui para testar alguns itens que já adquirimos, como isolantes térmicos, sacos de dormir, liners, e até uma lente nova para a nossa câmera. Para isso, fomos acampar em duas cidades da serra gaúcha, Canela e Cambará do Sul nos feriados de páscoa e de 1º de maio. A partir de agora, as próximas postagens serão os relatos sobre a nossa ida até o Parque da Cachoeira (Canela) e os cânions Fortaleza e Itaimbezinho (Cambará do Sul), com as nossas impressões sobre os equipamentos testados.

A embalagem do nosso saco de dormir, que até que chegou rápido tendo em vista a “agilidade” nos nossos correios.
Nossa Canon T5i com a lente nova, 70-300.

Assim como foi no Atacama, nosso plano é ir a Ushuaia lá por outubro também, já que esse é o nosso período de férias. Temos 3 meses para nos planejarmos. Sintam-se à vontade para nos dar dicas e sugestões que possam nos ajudar no planejamento desta viagem, elas serão muito bem vindas, principalmente de quem já teve essa experiência. Podem comentar aqui no blog ou nas nossas redes sociais. Até lá vamos atualizando vocês sobre a nossa preparação, aproveitando todo o aprendizado do Atacama e das nossas experiências nos campings da serra gaúcha. Aproveitamos para agradecer as mensagens que estamos recebendo sobre a viagem ao Atacama, os feedbacks e as trocas estão sendo maravilhosas e nos ajudam muito.

Abraços e pé na estrada!

 

Quanto custou a nossa viagem para o Atacama ($)?

Hoje vamos mostrar um aspecto importante do planejamento da viagem que realizamos ao Atacama em outubro de 2017, cujos relatos e imagens vocês puderam acompanhar até agora.
Fotos, e impressões apresentadas, agora vamos ao que interessa. Quanto custou para nós dois esta viagem? Onde o gasto foi maior? Estipulamos um teto? Vamos então apresentar uma “prestação de contas” da nossa viagem.

Primeiramente, quanto levamos na viagem e de que forma?
Levamos US$ 1.000 e R$ 2000, tudo em ESPÉCIE. Os cartões de créditos foram levados somente para casos de emergência, felizmente não precisamos usar nenhum. Trocamos os dólares na aduana de São Tomé, em Tilcara, San Pedro de Atacama e Antofagasta. Os reais foram trocados em Corrientes e San Pedro de Atacama. Uma dica em SPA é pesquisar bem entre as várias casas de câmbio na cidade. Vale a pena bater perna por duas quadras para minimizar as perdas de conversão.

Quanto às taxas de documentação, nós não incluímos o valor de US$ 24,00 para o SOAPEX, seguro obrigatório para entrarmos no Chile, pois não tínhamos feito a conversão até hoje, então ele não está somado ao valor total de despesas da viagem, então lá no valor total, acrescentem mais esta taxa. A Carta Verde, seguro para entrarmos na Argentina, nos foi concedida como cortesia pela Porto Seguro.

Para calcularmos o total das despesas, separamos em 4 critérios: alimentação, combustível, hospedagem e passeios. Elaboramos este gráfico com o panorama geral das nossas despesas com bases nesses critérios, mais abaixo descrevemos melhor como foram estas despesas.

Então vamos lá:

1. COMBUSTÍVEL
Nada mais adequado começarmos pela questão central que abalou o nosso país ultimamente, os gastos com o combustível. Na Argentina abastecemos na rede YPF e no Chile utilizamos a rede Copec na maioria das vezes,
em uma ou duas cidades abastecemos em postos BR/Petrobrás. Por país, a despesa total com combustível foi de:
BRASIL: R$ 197,30 – média de valor nos postos de R$ 4,26 o litro. Abastecemos 4 vezes (2 na ida e 2 na volta).
ARGENTINA: R$ 656,96 – média de valor nos postos de R$ 4,25 o litro. Abastecemos 15 vezes (8 na ida e 7 na volta).
CHILE: R$ 410,77 – média de valor nos postos de R$ 3,90 o litro. Abastecemos 9 vezes nos 6 dias que permanecemos no país.
DESPESA TOTAL: R$ 1.265,03.
A viagem iniciou no dia 16 de outubro e terminou em 1º de novembro, durando um total de 17 dias. Sendo assim, o total rodado foi de 7.409 km e utilizados 298 litros de gasolina, com uma média de 24,8km/l.
A melhor média foi 30 km/l e a pior foi 20 km/l (O vento no Chaco fez o rendimento da moto cair drasticamente). A média total do valor do litro gasto foi de R$ 4,24.
A gasolina mais barata que pagamos foi em San Pedro de Atacama, R$ 3,66 o litro. E a mais cara foi em Tilcara, na entrada da cidade, R$ 5,15 o litro.
2. HOSPEDAGEM
Não tínhamos todos os equipamentos de camping na época, então decidimos ficar em hostels e hotéis com preços acessíveis.
No Brasil não tivemos gastos, pois ficamos na casa de familiares em São Luiz Gonzaga/RS (próximo à fronteira). Para os demais locais, estipulamos um teto 150,00 para o valor da estadia.
O total de despesas com hospedagem distribuído em:
ARGENTINA: R$ 754,45
CHILE: R$ 949,42
DESPESA TOTAL: R$ 1.703,87

Conseguimos nos manter dentro desta meta para todos os lugares, com exceção de Copiapó, que pagamos r$ 180,00 o quarto de casal. Esta foi a hospedagem mais cara, enquanto a mais barata foi de R$ 60,00 por um quarto com beliche em San Pedro de Atacama.

3. ALIMENTAÇÃO
Como ficamos em hostels e hotéis, buscamos lugares com preços também acessíveis para comer. A única exceção foi Monte Quemado, que jantamos no hotel, pois não havia nada em volta. Percebemos que não é muito barato comer no Chile, pelo menos comer decentemente. E como já estávamos economizando na hospedagem, nos permitimos apreciar boas refeições por lá. Assim como a hospedagem, no Brasil também economizamos na alimentação, o gasto foi mínimo, com garrafas de água e barras de cereais para comer na estrada. Então, os gastos se distribuíram assim:
BRASIL: R$ 5,00
ARGENTINA: R$ 334,31
CHILE: R$ 832,23
DESPESA TOTAL: R$ 1.171,54 com uma média por dia de R$ 68,00.

4. PASSEIOS
Só no Chile foram realizados passeios pagos, nas Lagunas e no Valle de La Luna, que somaram um total de R$ 85,47.
É importante saliantar que esses valores são apenas das entradas dos locais, pois fomos de moto, seguindo as vans, não contratamos nenhuma agência.

E onde gastamos mais?
Em relação a despesas por país, o gasto obviamente foi maior no Chile, pois, embora o combustível lá seja mais barato, tivemos mais gasto com hospedagem, alimentação e os passeios, somando um total de R$ 2.277,89, enquanto na Argentina gastamos um total de R$ 1.745,72 e somente R$ 202,30 no Brasil.  Fizemos também este gráfico para melhor visualização do comparativo:

Mas, afinal, quanto custou a viagem no total?
O total de gasto da viagem toda foi de R$ 4.225,91.
Pelos nossos cálculos, gastamos aproximadamente US$ 76,00 por dia (o casal). Ficamos até abaixo da média de U$ 100,00 por dia que outros viajantes que pesquisamos usam para calcular o teto de suas despesas.

A conversão das moedas para calcular o total de gastos foi feita no câmbio da época da viagem. Recomendamos a vocês buscarem aplicativos para celular que façam a conversão cambial instantânea. Para nós foi bastante útil.
Até porque, muito provavelmente estes valores que apresentamos já estejam diferentes agora, em 2018, com a alta do dólar. Mas foi só para dar uma ideia de quanto gastamos para ir de moto para o Atacama no ano passado. Espero que tenha sido útil, e qualquer outra dúvida que possam ter, por favor nos contatem por aqui ou por nossas redes sociais. É sempre um prazer trocar experiências de viagens como esta.
Lembrando que não existe uma forma correta de viajar, cada pessoa tem seus limites, gostos e necessidades. Desde que tomados os devidos cuidados com a segurança do veículo e a revisão dos equipamentos/acessórios, sempre é possível se divertir, seja no camping mais simples ou no hotel mais luxuoso.
Ah, e imprevistos sempre podem acontecer. É importante considerar isso no planejamento dos gastos. Até esquecemos de mencionar os R$ 30,00 da câmara nova para o nosso pneu, que murchou na fronteira… rsrsrs.
As próximas postagens prometem novidades por aí.
Abraços e pé na estrada!

De moto para o Atacama – 17º (e último) DIA

QUARTA-FEIRA, 01/11/2017

Hoje é o dia em que vamos para Porto Alegre, tchau! Voltar para casa. Parece que faz meses que estamos fora. E com certeza, o astral todo da viagem, do Atacama, dos lugares, ainda está pulsando dentro da gente, é uma mistura de saudades já do Atacama, mas ao mesmo tempo, alegria por estarmos voltando. Vocês entendem.

Saímos de São Luiz Gonzaga um pouco mais tarde, por volta das 10 da manhã. A gente costuma evitar a estrada à noite, mas esse caminho já é conhecido. Hoje vamos com calma, bem tranquilos.

Tava tudo muito tranqüilo. Havíamos passado por Ijuí, percebemos que o pneu estava murcho. Paramos em um posto que tinha borracharia, mas ela só ia abrir às 13h30. Calibramos o pneu e esperamos, deu 13h30, 13h40, 13h50 e nada, resolvemos tentar seguir.  No próximo posto, em Bozano, verificamos a calibragem novamente e a existência de mais uma borracharia. Rodamos mais um pouco e dali a pouco, sentimos o pneu murcho de novo. Pelo GPS, vimos que rodamos 7 km depois de sair do posto. Ou seja, teríamos que voltar empurrando a moto por 7 km, no calor das 14h00.

Sem opção na vida, fomos empurrando a moto e rezando para aparecer outro Sr. Marcos na nossa vida. E ele apareceu. O João, estava na pista contrária, indo para Erechim, fez o retorno e parou o carro nos oferecendo ajuda. Assim como o Seu Marcos, ele levou o pneu em uma borracharia naquele posto e pediu para aguardarmos ali. Desta vez, pedimos a ele para dar uma observada de perto no trabalho do pessoal da borracharia, vocês sabem. Logo ele voltou e nos explicou que a borracharia da Argentina fez uma gambiarra nos remendos da câmara furada. Eles se aproveitaram do momento em que o Sr. Marcos se preocupou em ir comprar água e comida para nós, que tapearam ele (e a nós também) na troca da câmara. Colocaram a mesma câmara e começou a vazar ar pelo remendo mal feito. Agora o problema foi resolvido da forma correta.

O João, que é de Erechim, foi outra alma generosa que nos socorreu nesse momento de aperto. O brasileiro quando revela o seu altruísmo, não tem para ninguém. Seguimos na estrada, só fizemos uma rápida parada em Tio Hugo para um pastel com Coca Cola. Depois decidimos pegar a BR-386, que sai em Canoas por Nova Santa Rita, e depois direto pela BR-448, também conhecida como Rodovia do Parque.

Chegamos em Porto Alegre por volta de umas 23h00. Não acreditamos quando enxergamos a Arena do Grêmio no final da rodovia, estávamos em casa. Fomos nessa sensação de torpor misturado com cansaço até cruzarmos o portão do nosso prédio e estacionarmos a moto na nossa vaga da garagem.

Para a posteridade: foram 17 dias de viagem até o Chile, ida e volta. Um total de 7.409,1 km, uma experiência inesquecível. Lamentamos não ter muita foto deste dia, pois estávamos nas últimas do cansaço. Depois de todo este tempo, nossa vontade maior era de chegarmos em casa.

Muito obrigada por ter nos acompanhado nessa expedição maravilhosa. Contamos com a sua companhia nas próximas que virão, ela é muito importante para nós. Na próxima postagem, apresentaremos os nossos gastos totais desta viagem. Agora é descansar e processar a viagem em nossas mentes e corações. Abraços e pé na estrada!

De moto para o Atacama – 16º DIA

TERÇA-FEIRA, 31/10/2017

Bom dia, amigos! Dia de voltar para casa, para o nosso Brasilzão. Dormimos muito melhor do que da outra vez aqui em Corrientes, saímos cedo pois hoje tem aduana de novo.

Nossa única despesa neste dia foi o combustível, pois o pernoite é em São Luiz Gonzaga, na casa dos familiares de novo. Por pouco nossos gastos não são maiores, mas isso é papo para mais adiante. Saímos de Corrientes pela RN12, que é o trecho maior, são 250 km. Ainda vínhamos pensando em tudo que deu certo na viagem, até nos “infortúnios” que acabaram se transformando em algo bom, ou seja, tudo na viagem aconteceu conforme o esperado, para uma primeira viagem deste porte, estava fantástico.

Ao retornarmos à estrada pós pararmos um pouco no acostamento, sentimos o pneu estranho. Adivinha? Furado. Tínhamos recém entrado na RN12, faltava uns 300 km para a fronteira. Ainda tínhamos que pegar a RN120 e RN14.

Encostamos a moto na entrada de uma fazenda, a RN12 não é uma estrada muito movimentada (pelo menos naquele dia), então resolvemos ficar à sombra de uma árvore para trocar a câmara. É nessas horas que vemos o quanto achamos que estamos preparados o suficiente, mas, muitas vezes, estamos longe disso. Não tínhamos a ferramenta específica para separar o pneu do aro, e resolvemos usar uma chave de fenda para isso. Sim, já entendemos que foi uma má ideia. A falta da ferramenta exige um esforço físico maior, é tão mais difícil de tirar que quebrou a ponta da chave de fenda, deixando-a afiada. Exatamente, na hora da troca, conseguimos furar a câmara nova com a maldita chave de fenda.

Aí, pela primeira vez, bateu um desespero. Ainda tentamos pensar que poderia ter acontecido no meio do Chaco ou no meio do Paso de Jama. Poderia ter sido muito pior. Mas isso não tornou a situação menos tensa. Eis que a sorte, ah, a sorte… o dono da propriedade chegou em sua caminhonete branca e nos ofereceu ajuda. Mas pensem em uma ajuda, com A maiúsculo. Ele se ofereceu para levar o pneu no borracheiro, que ficava a 25 km dali, e nós aguardaríamos na sombra da árvore – por precaução, não deixamos a moto sozinha ali. Passada uma meia hora, este ser humano maravilhoso voltou com uma câmara nova na caçamba da sua Hilux, uma garrafa grande de água gelada e dois sanduíches. Por causa da gentileza do Sr. Marcos, esta alma generosa, pois ainda por cima não quis nos cobrar nada pela ajuda, nos foi possível seguir para casa.

Sem outros percalços, chegamos na fronteira em São Borja, passaportes carimbados e “welcome home”. Bate uma emoção em ver a bandeira do Brasil. A gente fala mal e reclama, mas é bom chegar na nossa pátria, nosso idioma, nossa comida, nossa cultura.

Estacionamento da aduana Brasil-Argentina.
Entrada de São Borja/RS.

Agora é só mais 100 kmzinhos pela BR-285 até São Luiz. A essa altura, 100 km para nos é ali na esquina. Chegamos em São Luiz Gonzaga por volta das 20h00, pelo tempo que gastamos (+ ou – duas horas) com a função do pneu furado, chegamos umas duas horas depois do horário previsto, já estava escurecendo até. Nossos familiares pareciam que estavam adivinhando, pois nos aguardavam com a churrasqueira pegando fogo e a carne no espeto. Isso não tem dinheiro que pague.

Hoje é uma noite que temos a certeza de que vamos dormir muito bem, pois a sensação de estar em casa já começa aqui. Acompanhem a nossa volta para Porto Alegre, pois as aventura aqui pelas BRs e RS da vida ainda não acabaram. Abraços e pé na estrada!

 

 

 

De moto para o Atacama – 15º DIA

SEGUNDA-FEIRA, 30/10/2017

A chuva foi tão forte que não poupou algumas pequenas criaturas. Mas nós sobrevivemos. Hora de partir.

Hoje, tirando o calor, vai ser molezinha pegar a reta da RN16 até a ponte General Belgrano, em Corrientes. Os mesmo 442 km. Só precisamos que os postos de combustível estejam nos lugares certos e bem que tivemos sorte até agora. Não comentamos na ida, mas agora na volta percebemos bastante reformas nas duas pistas da RN16, mais precisamente na altura de Resistencia. Como esta viagem foi feita em outubro, talvez agora o cenário esteja um pouco diferente. Talvez.

A viagem seguiu sem grandes percalços, passamos de volta por Pampa Del Infierno, Roque Sáenz Peña, Resistência e logo enxergamos a ponte General Belgrano. Chegamos de volta a Corrientes.

Desta vez, o Hostel Golondrina estava lotado. Cá entre nós, não ficamos tão chateados assim. A própria funcionária deles nos indicou outro hostel em uma praça bem próxima dali, em frente a uma delegacia de polícia. Muito melhor para estacionar a moto. Este hostel não consta no Google, quase não encontramos o endereço. Mas estava ali. Ao entrarmos e fazermos o check in, vimos que este hostel (chamado Hostel Corrientes – nome para não esquecer nunca mais) era mais acolhedor, as instalações eram melhores e, de quebra, também era mais barato. Enquanto o Golondrina cobrou 850 pesos, este cobrou 650. Duzentos pesos faz diferença.

O hostel fica localizado na Calle Buenos Aires, 508, na praça em frente a uma delegacia. Fonte: Google Imagens.
Logo no cartão de visitas do Hostel Corrientes. Fonte: Google Imagens.

Ainda precisávamos comprar mais pesos argentinos, aquela confusão toda nos fez perceber que não eram só nossos pesos chilenos que estavam acabando. Não havia casas de câmbio na redondeza, então recorremos mais uma vez ao nosso novo amigo, Raphael. Ele foi até o hostel e nos socorreu, garantindo nosso tanque cheio do outro dia… hahaha… (gratidão eterna, Raphael!).

Fomos jantar, desta vez paramos em um foodtruck na orla do Rio Paraná e saboreamos uma milanesa com fritas, um hambúrguer e refrigerante (sem cerveja por hoje) por 305 pesos. Já estávamos no espírito da volta para casa, então fomos dormir. Próximo dia, fronteira para o Brasil! Abraços e pé na estrada!

 

 

 

 

De moto para o Atacama – 14º DIA

DOMINGO, 29/10/2017

Bom dia! Partiu Chaco? Aaahhhh… Hoje vamos descer do pé da cordilheira para pegar a RN16 e seguir, em uma reta infinita e além, de volta para Monte Quemado. Mas antes, uma despedida carinhosa de um dos melhores hostels que conhecemos até hoje. Até um dia, Hostel Waira.

Vista do pátio do hostel.

Desta vez, fugimos daquele trecho da RN9 cheio de curvas acentuadas para não corrermos mais o risco de darmos de cara com outro caminhão. Escolhemos fazer um desvio pela RN34, um trajeto mais estável, mais reto.

Vamos abrir um parêntese aqui: na noite anterior, lá em Tilcara, abrimos nossas redes sociais e vimos que um viajante lá do Egito que seguimos no Facebook, chamado Omar Mansour Alfardy, tinha passado uns dias no Brasil e estava vindo para o Atacama de moto também. Não o conhecíamos bem, apenas curtíamos e comentávamos suas postagens. Falamos brincando: “imagina se nos encontramos por aqui pela estrada?”. Rimos e fomos dormir. Fecha parêntese.

Alguns quilômetros depois, já na reta escaldante da RN16, paramos em um posto de gasolina para abastecer, comer alguma coisa e se refrescar. Lá pelas tantas um cara todo “fardado” com roupas de motociclista estava indo em direção ao banheiro, neste mesmo posto. Ao nos avistar ao lado da Ténéré ele falou brincando, em inglês: “ei, essa é a minha moto!”. Lembram do parêntese? Era o Omar! Ele ficou tão impressionado quanto nós pela tamanha coincidência de pararmos ao mesmo tempo naquele posto, disse que se tivéssemos combinado não teria dado tão certo. Esse é o verdadeiro espírito da viagem, conhecer gente nova, gente legal e trocar experiências. E faz uma baita diferença no astral da viagem.

Após conversarmos um tempo com o Omar, após ele nos convidar para visitar Alexandria e nós o convidarmos a visitar Porto Alegre, nos despedimos e cada um seguiu seu caminho. Tivemos a impressão de que a viagem até Monte Quemado foi mais curta desta vez. Não significa que o calor tenha sido melhor. Vai ver nos acostumamos. Aquela paisagem árida, com animais mortos – muitas vezes de sede – pela beira da estrada ainda era a mesma. Tinha trechos de muitos quilômetros sem uma única árvore para fazer sombra. Por isso, a recomendação é sempre pegar esta estrada sempre o mais cedo da manhã possível.

Mais cedo do que pensávamos, chegamos ao Hotel Gran Cacho. Após nos acomodarmos, fomos jantar no restaurante do hotel (onde mais, né?) e pedimos uma pizza e duas Quilmes por 265 pesos.

Neste dia também choveu como da outra vez, mas agora foi uma tempestade para ninguém botar defeito. Ficamos sem luz no hotel, o que significa que ficamos incomunicáveis até o dia seguinte. Não foi de todo ruim, talvez seja até necessário às vezes. Deu uma sensação secreta de liberdade, de desapego. Na chuva, no meio do nada, sem luz, sem celular, sem internet. Não por muito tempo, claro. Mas para dormir, foi ótimo.

Quando pensamos que estamos indo de volta para Corrientes no dia seguinte, percebemos que estamos cada vez mais perto do caminho de casa. Abraços e pé na estrada!