De moto para o Atacama – 11º DIA

QUINTA-FEIRA, 26/10/2017

Bom dia! Dia de voltarmos ao estilo “cão arrependido” de volta por onde viemos. Brincadeirinha, de volta para Antofagasta e ver no que dá.

Começamos subindo pela RN5, só que uns 300 km depois a rodovia se divide entre o acesso à RN 1 para seguir costeando o Pacífico e a continuação da RN5, que faz um desvio considerável até.

É uma questão de decidir qual caminho queríamos para ir até Antofagasta. Podemos dizer que ir pela Panamericana dá uns 30 km a mais do que ir reto pela RN1, aproximadamente. Escolhemos voltar novamente pela Panamericana. Pressa para quê?…

Sem novidades na estrada, uns 570 km depois, chegamos em Antofagasta.

Fomos direto para o Eile Hostel, o mesmo que pernoitamos, e, por sorte, tinha vaga no mesmo quarto, que estava vazio, ninguém se hospedou ali depois da turista americana. Mesmo valor, 20.000 pesos o pernoite, com café da manhã.

Pedimos informação sobre casas de câmbio naquela redondeza, pois, como explicamos antes, acabamos ficando no Chile por mais tempo do que o planejado e não tínhamos nada de peso chileno. Este hostel não aceitava dólar, por já ter tido problemas com notas falsas (informação útil para quem um dia quiser se hospedar ali). Nos indicaram uma casa de câmbio a poucas quadras dali, em uma das avenidas principais, a Av. Iquique. Trocamos 150 dólares por 94.000 pesos chilenos. Foi definitivamente o melhor câmbio até agora.

Desta vez fomos conhecer o Shopping Fallabella, que é um pouco mais longe do hotel, mas a caminhada compensa. Já faz um tempo que, nos restaurantes por onde passamos no Chile, vemos nos cardápios pratos “a lo pobre” e nunca perguntamos como eram. Decidimos descobrir por conta e pedimos um prato chamado “Cuarto de Pollo a lo Pobre”, ou seja, um quarto de frango assado com uma porção generosa de molho acebolado e batata frita pela bagatela de 10.000 pesos. Vejam a foto e tirem suas conclusões.

Isso aqui é ou não é comida de guerreiros e guerreiras da estrada? O resto é conversa.

Voltamos, satisfeitos e sonolentos, para o hostel descansar que no outro dia e dia de tentar a sorte em San Pedro de Atacama, pois ouvimos falar que é feriado no Chile, ou seja, vai ser uma disputa por hospedagem. Nos desejem sorte. Um abraço e pé na estrada!

 

 

 

De moto para o Atacama – 10º DIA

QUARTA-FEIRA, 25/10/2017

Décimo dia de viagem, hora de pegar a estrada para Copiapó. Hoje o trajeto é mais longo, serão quase 600 km até lá. Mesmo esquema, saímos cedo do hostel para não correr o risco de chegarmos de noite em Copiapó, pois ainda teríamos que procurar por hospedagem. Fora o cansaço. Mas não vamos sofrer por antecipação, a viagem ainda nem começou… hehehe.

Saímos de Antofagasta pela RN28 para depois acessar a RN5, a famosa Rodovia Panamericana, e descer direto por ela. Obviamente, depois de acessarmos a RN5, paramos 40 km depois para visitar a famosa Mano Del Desierto, monumento emblemático para quem vem visitar o Chile. Fica na beira da rodovia, a 75km do sul de Antofagasta. É uma escultura em grande escala de uma mão, que parece estar saindo da areia e possui 11 metros de altura. Foi erguida em 1992 pelo artista chileno Mário Irarrázabal e diz-se ser uma homenagem às vítimas de tortura durante o regime militar no Chile, que ocorreu nos anos de 1973 a 1990.

Seguimos pela Panamericana, mas fizemos um pequeno desvio para a RN1 para uma cidade chamada Taltal e abastecer em um posto da Petrobrás, recém inaugurado ali. Convertendo para o câmbio da época, a gasolina saiu por R$ 3,82 o litro.

 

Voltamos para a RN5 e concluímos o trajeto sem percalços até Copiapó. Talvez por esta viagem ter sido mais longa, somado ao cansaço e a preocupação com o tanque quase vazio, a impaciência nos dava a falsa  impressão de que estávamos levando uma eternidade para chegar. Eis que, após rodarmos um total de 574 km, chegamos na cidade de Copiapó. Nos permitimos procurar por qualquer tipo de hospedagem, já que havíamos economizado um pouco mais do que esperávamos. Demos uma busca no GPS e ele identificou alguns hotéis na região central da cidade. Escolhemos o Hotel Girasoles, o quarto um pouco pequeno, mas atendeu muito bem às nossas necessidades, ainda mais para um pernoite só. A diária saiu por 35.000 pesos, com café da manhã. Tudo certo até agora. Até agora.

Porém, do nada, o recepcionista do hotel nos perguntou para onde iríamos no dia seguinte, e após respondermos, ele checou no computador uma página sobre os passos fronteiriços e nos informou de que o Paso de San Francisco estava fechado por causa da neve. Isso mudou tudo em relação à nossa viagem! Teríamos que rever todo o nosso planejamento de viagem e concluímos que teríamos que voltar pelo mesmo caminho da ida. E não é apenas sobre o tempo de viagem que aumenta, é todo o planejamento em torno de combustível, pernoite e comida, fora que estávamos com poucos pesos chilenos e nem nos preocupamos em comprar mais, pois no dia seguinte estaríamos cruzando para a Argentina novamente. Agora, teríamos que voltar para Antofagasta e San Pedro de Atacama, ou seja, mais três dias no Chile. Bora buscar casa de câmbio.

Notícia local sobre a situação do Paso de San Francisco em Nov/2017.

Só que imprevistos estão aí para acontecerem, faz parte, bola para frente e para tudo se dá um jeito.  Fomos por partes, primeiro nos acomodamos no quarto, tomamos um banho para tirar o frio, fomos jantar em um restaurante perto do hotel, pois já era tarde, depois, de barriga cheia, repassamos o nosso plano B. Após consultarmos diversas páginas nas redes sociais e sites das fronteiras e das forças de segurança  (gendarmerias) chilenas, confirmamos que o Paso de San Francisco realmente estava fechado. Não adiantaria nem arriscar, sob o risco de não nos deixarem passar e termos que voltar tudo de novo. E este não é um trajeto que dê para ir e voltar à toa.

Decidimos voltar para Antofagasta, San Pedro de Atacama e cruzar a fronteira para a Argentina pelo Paso de Jama novamente. É o jeito. O lado ruim de passar pelos mesmos lugares é que existe um risco de não termos muito algo de novo a acrescentar aqui durante a viagem. O lado bom é que poderemos revisitar cidades que achamos que não voltaríamos tão cedo, como Tilcara. Vamos esperar e ver, às vezes o mesmo lugar visto com olhos diferentes tem um novo significado. Vamos descansar e ver o que esta volta nos reserva. Um abraço e pé na estrada!

 

 

 

De moto para o Atacama – 9º DIA

TERÇA-FEIRA, 24/10/2017

Bom dia! Hora de deixar San Pedro de Atacama e seguir para Antofagasta. Saímos cedo, tomar o último café da manhã maravilhoso na Franchuteria e pegamos a estrada. Seguimos pela RN23 até Calama, deu uns 95 km. Em Calama, pegamos o acesso para a RN24 até Tocopilla, para depois descer pela RN1. Sim, este caminho é mais longo, subimos para depois descer, mas queríamos descer costeando o Pacífico. Rodamos uns 150 km pela RN24 e, no final, a estrada vai contornando as montanhas até que, de repente, o Oceano Pacífico surge na nossa frente. É muito legal saber que cruzamos o continente, só conhecíamos o Atlântico.

Dali descemos 170 km pela RN1 e, antes de chegar em Antofagasta, fizemos uma parada rápida em La Portada, que é um ponto turístico da região, perto do aeroporto Cerro Moreno. Lá encontramos um desfiladeiro de pedra, banhados pelo oceano e uma formação de pedra mais afastada com um buraco ao meio, dando um ar mediterrâneo ao lugar.

Em 30 km chegamos a Antofagasta, que é uma cidade diferente do clima do deserto, é uma cidade grande, urbana, com um tráfego intenso de veículos. Pelo GPS encontramos o Eile Hostel, pegamos um quarto por 20.000 pesos, desta vez, compartilhando com uma hóspede dos EUA, muito simpática, que também estava pernoitando para seguir para Copiapó. Uma coisa interessante que percebemos foi a quantidade de mulheres de meia-idade (e até de terceira idade) mochilando sozinhas pelo mundo, não sabemos se são solteiras, viúvas ou divorciadas, mas isso não importa; o legal é ver que não existe idade para se aventurar e explorar novos lugares, novas formas de vida, novas culturas. Nunca é tarde demais para abraçar as inúmeras possibilidades da vida e elas estão nos ensinando isso muito bem.

Mas, seguimos em frente. Gostamos muito da estrutura deste hostel, bastante limpo, wi-fi com sinal forte e até que é bem localizado.

Fonte: Booking.com
Fonte: Booking.com

Nos instalamos e depois saímos para jantar. O hostel fica perto de um supermercado chamado Lider e um mini shopping, bem à margem da praia Paraíso e de um terminal de pesca. Antofagasta é a capital da província de mesmo nome, e é conhecida popularmente no Chile como a “pérola do Norte”. A principal atividade econômica de Antofagasta é a exploração de minerais, principalmente o cobre.

Fonte: Google Maps

Jantamos na praça de alimentação do mini shopping e comemos uma pizza e tomamos duas latas de refrigerante por 5.200 pesos. É hora de dormir, pois agora seguimos viagem, convidamos vocês a virem conosco para Copiapó. Um abraço e pé na estrada!