Barraca e 2°C em Gramado

No último post, apresentamos nossos sacos de dormir, nossos isolantes térmicos e outros acessórios. Agora chegou finalmente o dia de testar esses equipamentos no inverno de Gramado. Por motivos pessoais, tivemos que dar uma pausa nos acampamentos, mas, felizmente, conseguimos retomar no fim de semana do dia 21 e 22 de julho passado. Já sabíamos que iria esfriar bastante na serra, então a expectativa foi grande. Fomos para o Gramado Camping, que fica localizado entre Gramado e Canela, fomos direto pela BR-116.

 

O clima ajudou, pegamos um tempo ótimo na estrada.

BR-116, saindo de Porto Alegre.

O Parque Zoológico de Sapucaia do Sul.

Perto da entrada de São Leopoldo.

Na medida em que nos aproximamos da subida da serra, os irmãos e irmãs da estrada já vão aparecendo. Devia ter algum evento na Tenda do Umbu, em Picada Café.

É na ida e na volta.

E não é que tinha mesmo? XD

Como pensávamos, sábado ensolarado é sinônimo de Tenda do Umbu lotada de motos. Estávamos a uns 5 km da entrada de Picada Café quando percebemos o pneu murcho. Esse problema nos persegue desde o Atacama, pelo visto. Menos mal que logo que entra na cidade já tem uma borracharia.

Começou…

Sempre tem um doguinho perdido nas oficinas e borracharias 🙂

Consertada a câmara, seguimos viagem.

Passamos por Nova Petrópolis, uma vista sempre agradável na viagem.

Mais uns 30 km e chegamos em Gramado. A função com o pneu atrasou um pouco a viagem, mas conseguimos chegar ainda de dia.

Essa é a entrada do Gramado Camping:

O Gramado Camping é voltado para adeptos dos trailers e motorhomes, mas também tem espaço para barracas e tem cabanas pequenas. Pagamos a diária de R$ 60,00 o casal. O lugar é bem cuidado e tem uma estrutura boa. Alguns proprietários de trailers deixam o veículo lá o ano inteiro, mediante pagamento, e fica meio que sendo uma “casa na serra”.

Esse foi o espaço que escolhemos para montarmos a barraca.

Chegamos ali já era por volta das 17h30, por incrível que pareça, o mais demorado foi atravessar Gramado por dentro, já que estamos na alta temporada na serra. Só deu tempo de montar a barraca e já anoiteceu.

Nossa Nepal 2 pessoas da Azteq.

O frio demanda um cafezinho para aquecer.

Na medida que anoitecia, o relento já se apresentava e a temperatura ia caindo. Colocamos o termômetro para teste, ele indicou 3,5°C de temperatura externa. Mantivemos o sensor externo fora da barraca e o termômetro com o sensor interno dentro da mesma para monitorarmos a diferença de temperatura.

Eram 19h48 da noite, o termômetro indicava temperatura interna de 6,5°C e externa de 3,5°C.

Dessa vez optamos por levar comida pronta, só precisando aquecer depois. Levamos uma sopa feita em casa e utilizamos nosso kit cozinha novo da Guepardo.

Pensamos que talvez seja necessário um modelo de fogareiro que dê mais estabilidade ao recipiente. Essa panela é um pouco maior que a que utilizávamos antes e sempre há um risco de virar, se não for bem equilibrado nas hastes do fogareiro.

Eram quase 22h00, não tem muito o que fazer em um camping afastado da cidade, o jeito é ir preparando os sacos de dormir. A temperatura externa marcava 2°C e a interna, 4°C. Nessa hora tinha duas pessoas na barraca, mas ela estava aberta, só com a tela fechada.

Então, vamos ao que interessa. Dessa vez, não levamos o isolante térmico de EVA, apenas os dois infláveis da Camp e da Naturehike. É importante considerar que ambos são do tipo light e ultralight, e, provavelmente, isso fez diferença na eficácia.

Isolante inflável Essencial Light Mat da Camp
Isolante térmico Ultralight Mummy da Naturehike.

Nós também optamos por levar uma barraca aluminizada da Guepardo, em caso de frio extremo, porém, usamos para forrar o chão e aumentar a isolação térmica.

BALANÇO GERAL DA NOITE:

Sentimos frio durante a madrugada. Mas não aquele frio geral, sentíamos o frio vindo do chão. Era umas 2h00 da manhã quando levantamos para ir ao banheiro e vimos que a temperatura se manteve em 2°C. Em um dado momento vestimos a jaqueta e a calça que usamos para andar de moto, pois o frio estava ficando bastante incômodo.

Entre cochiladas, acordamos por volta das 7h00 da manhã. Logo depois registramos temperatura externa de 4°C.

ANÁLISE DOS EQUIPAMENTOS:

Barraca: Vimos que o número de pessoas que ocupam a barraca e o tempo que ela fica fechada são critérios que definem a diferença entre as temperaturas interna e externa. Aqui percebemos que quando estávamos os dois dentro da barraca, ela concentrava bem o calor do corpo e a temperatura interna aumentava, o conforto era fisicamente perceptível. Pela manhã o termômetro chegou a registrar um aumento em 5 graus nesta diferença, com duas pessoas dentro e após a noite toda fechada.

Sacos de dormir: como eles eram de verão, foi muito importante o uso dos liners, eles realmente aumentam a sensação térmica, dando uma sensação maior de conforto térmico.

Isolantes térmicos (EVA x infláveis): percebemos que, para temperaturas próximas a 0ºC, o isolante de EVA tem capacidade maior de isolação do que os infláveis ultralight. Teríamos que optar entre isolantes térmicos de EVA ou isolantes infláveis com uma espessura maior. Para Ushuaia, decidimos levar dois isolantes de EVA (compraríamos mais um) para garantir um bom isolamento do solo e os dois infláveis ultralight que já temos, para um pouco de conforto físico após um dia sobre a moto.

Vestuário: concluímos também que a nossa segunda pele não é indicada para situações como essa. Nossa segunda pele não tem revestimentos para baixas temperaturas, ela mais ajuda a equilibrar a temperatura, expulsando o suor para fora, porém, ela não retem muito o calor do corpo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Precisamos nos concentrar nos isolantes térmicos e no vestuário na viagem de Ushuaia. Vamos tentar confeccionar uma camada de fleece ou microfibra para adicionar aos liners e sacos de dormir, sempre pensando como organizar tudo isso na bagagem.

Também foi importante percebermos a importância de separar as finalidades de cada equipamento. No fim, a barraca aluminizada não fez nenhuma diferença na tentativa de aumentar a isolação térmica com o solo, pois se trata de um item de emergência cuja finalidade é evitar que não morramos de hipotermia, e não fazer com que durmamos quentinhos. São coisas diferentes.

Antes de partir, um café da manhã e um último registro do lugar. Recomendamos este camping, para quem quiser conhecer, o endereço é R. Venerável, 877. Eles possuem uma página no Facebook.

Na volta, ligamos a GoPro para registrar um pouco do caminho.

A função continua na Tenda do Umbu 😀

Faltam mais ou menos uns 2 meses para a nossa viagem para a Patagônia. Nos sobra um feriado, em setembro, para tentar mais um camping, pensamos em ir a Urubici/SC. Mas veremos até lá. No mais, apesar da noite mal dormida por causa do frio, essa experiência foi super válida. Foi justamente para isso que fizemos esse camping, foi um teste, se for para passar frio, que seja aqui. Essa é a hora de passar os “perrengues” para ir conhecendo os equipamentos, faz parte do processo de planejamento. As sugestões seguem sendo bem vindas, já recebemos muitas dicas super úteis de pessoas que nos seguem nas nossas redes sociais, agradecemos por essa troca. Até o próximo post.

Abraços e pé na estrada!

Nossos equipamentos para camping: o que levar

Olá amigos e amigas da estrada! Resolvemos dar uma pausa nos relatos de camping na serra para dividir com vocês a apresentação de alguns equipamentos que adquirimos para levar para a Patagônia. A grande maioria deles já foi testada em Gramado, nosso último camping – relato aqui na semana que vem.

Sabemos que existe uma variedade de equipamentos dos mais diversos tipos, qualidades e preços e que estamos conhecendo apenas uma parte desta variedade, então, considerem que as nossas futuras impressões sobre estes equipamentos serão totalmente baseadas em nossa experiência pessoal e nas nossas necessidades. Se preferirem, deixem nos comentários aqui ou nas nossas redes sociais quais equipamentos vocês preferem ou recomendam para acampar no frio.

 

ITENS DE PRIMEIRA IMPORTÂNCIA

Os primeiros itens que consideramos fundamentais compõem a tríade que vai nos abrigar do frio como um todo: a barraca, os isolantes térmicos e os sacos de dormir.

A nossa barraca vocês já conhecem, é uma Nepal da Azteq para 2 pessoas. Até agora ela atendeu às nossas necessidades, ela é leve, prática de montar e desmontar, e tem sobreteto para proteger da chuva e da umidade, além de espaços internos nas duas portas para armazenas objetos.

No começo, tínhamos dois sacos de dormir, um de inverno e outro de verão. O de inverno, um Super Pluma da Trilhas e Rumos é muito bom para baixas temperaturas (limite 0°C), porém, é muito volumoso, comprometendo grande parte do espaço da bagagem. Decidimos, então, manter o saco de dormir de verão que já tínhamos, um Dreamlite 500 da Deuter, que oferece eficácia de conforto para +13°C (2,20 m de comprimento) e adquirimos o Micron X-Lite da Nautika, que protege do frio em temperaturas entre 5°C e 8°C (2,15 m de comprimento). Ambos são em formato sarcófago e preenchidos com poliéster, bastante confortáveis.

Dreamlite 500 Deuter Temperatura conforto para +13°C 2,20 m de comprimento

Micron X-Lite Nautika Temperatura conforto entre 5°C e 8°C 2,15 m de comprimento

Já usávamos o isolante térmico de EVA e um inflável da Camp, que tem câmaras longitudinais e pesam 315 g (180x45x2,5 cm aberto). Agora adquirimos o isolante inflável Ultralight Mummy da Naturehike, com câmaras divididas em várias células, pesa 390 g (193x57x3 cm aberto).

Isolante térmico inflável Camp.
Isolante térmico inflável Ultralight Mummy da Naturehike

 

KIT COZINHA

Sentimos a necessidade de melhorar a parte da alimentação, fazendo um upgrade no nosso kit cozinha. Antes usávamos uma panelinha improvisada para cozinhar e comer, junto com o cantil de água. Agora, compramos o kit com 8 peças da Guepardo, para 2 pessoas.
O kit é composto por:
01 panela – 1,5 l
01 frigideira – 600 ml
02 pratos – 270 ml
02 canecas – 200 ml
01 cabo destacável
01 tampa

 

 

OUTROS ACESSÓRIOS

Travesseiros infláveis
Já usávamos o travesseiro inflável Smart da Guepardo. Feito em PVC, é impermeável e pesa 115 g (32,5x47x5cm). Recentemente compramos a Air Basic da Quechua, não encontramos informações sobre o material com que ele foi feito, apenas as dimensões, 27x37x10 cm.

 

Travesseiro inflável Air Basic da Quechua.
Sleeping Bag Liners

Resolvemos testar essa novidade, pelo menos para nós, os sleeping bag liners Thermolite Reactor Extreme da Sea To Summit. Esses liners servem para complementar o saco de dormir em temperaturas baixas, pois ele oferece um acréscimo de +15°C de temperatura.  Tem o formato sarcófago, como os sacos de dormir, feito em 100% poliéster.

Mochila de hidratação
Esta mochila já utilizamos desde a nossa viagem para o Atacama, porém, trocamos o refil para um da Invictus, com capacidade de 3 l (um compartimento de 2 l para água e outro de 1 l para energéticos ou outro líquido de preferência).

Mangueira com mecanismo seguro de abertura para o fluxo de água.
Mochila para câmera
Neste projeto às vezes a tarefa de fotografar vem com desafios, como por exemplo, obter imagens da moto em movimento, na garupa ou fora dela. Pensando na praticidade na hora de produzir fotos durante as viagens, decidimos adquirir uma mochila para colocar a câmera, as lentes e os demais acessórios de fotografia. Esta aqui é bem simples, made in China. Mas é bem prática, cabe a câmera, a lente do kit (18-55mm), nos compartimentos dá para guardar as tampas da lente e do sensor, os cartões SD e as baterias.

Termômetro
Pensamos que seria interessante também registrar o horário e a temperatura que vamos enfrentar nos próximos campings, então encontramos este relógio termômetro digital MT-220 Minipa. Ele registra a temperatura interna e tem um sensor com cabo de extensão que capta a temperatura externa.
Por enquanto é o que conseguimos para nos preparar para um bom camping em um lugar frio. Como dissemos anteriormente, a maioria deles já foi testada em Gramado nos dias 21 e 22 de julho, nosso último camping. Foi uma noite que fez 2°C, será que eles deram conta do recado? Daqui a alguns dias vocês saberão como foi.
Abraços e pé na estrada!

 

 

 

 

De volta a Cambará do Sul

Somos brasileiros e não desistimos nunca! Dia de voltar a Cambará do Sul para continuarmos aquela viagem interrompida no feriado de Pascoa. Pegamos o fim de semana dos dias 29 e 30 de abril, perto do feriado do Dia do Trabalhador. Pegamos o mesmo caminho até Cambará, nem precisamos mostrar de novo.

Desta vez ficamos na área de camping da Fazenda Pindorama, pois estava tendo um evento na Pousada das Corucacas, esta estava lotada. As pousadas/fazendas são bem próximas uma da outra.

Fachada da Fazenda Pindorama.

A área de camping não é muito grande, mas é muito bem organizada, com uma boa estrutura. Tem banheiros, bastante limpos e organizados, e uma cozinha para uso coletivo.

Armamos a barraca e descansamos um pouco antes de preparar o almoço. Durante o dia até fez calor, mas sabíamos que ao cair da noite iria esfriar. É hoje que iríamos testar os sacos de dormir e os isolantes térmicos. Levamos um isolante de EVA e um inflável da CAMP e mais um travesseiro inflável da Guepardo.

A foto é repetida, é que esquecemos de tirar foto dos isolantes térmicos :-\

Continuamos com o nosso kit cozinha improvisado, usamos o nosso kit talher da Nautika, que na verdade é um canivete que vem com talheres, saca-rolhas e abridor de lata. Como panela, usamos aqueles recipientes de colocar marmita (em breve teremos panelas novas para camping) e para cozinhar, o bom e velho fogareiro e cartucho de gás da Nautika.

Após o almoço, nos preparamos para ir ao cânion Fortaleza. Conforme explicamos na postagem anterior, ele fica dentro do Parque Nacional da Serra Geral, a aproximadamente uns 20 km de onde estávamos acampados. Metade do caminho até lá é de chão batido, com muita pedra, então rezamos para tudo dar certo dessa vez, já que o tempo estava ensolarado, com o céu limpo, sem neblina.

Rota para o Cânion Fortaleza.

Felizmente deu tudo certo e chegamos ao cânion Fortaleza. A trilha até lá é uma subida de 1 km. Não estávamos com as roupas mais adequadas para uma trilha, mas devagarinho fomos chegando ao topo do cânion. O parque fica aberto só até às 18h00, logo, é sempre bom chegar cedo lá.

Na volta foi possível ver o bonito entardecer da serra gaúcha.

Chegamos de volta ao camping antes do anoitecer, já havia mais barracas do que quando saímos para o passeio. Conforme anoitecia, a temperatura caía.

A noite foi agitada, não foi possível dormir muito, não tanto pelo frio, mas por causa de um dos hóspedes do camping que sofria de apneia do sono e estava em uma barraca próxima à nossa. Para dizer a verdade, todo o camping teve dificuldades para dormir por causa dos roncos, era um caso preocupante. Bem, voltando ao frio: Os sacos de dormir são bons, aguentam baixas temperaturas, mas sempre combinados com bons isolantes térmicos. Concluímos que o isolante de EVA, embora seja eficaz para proteger do frio, é desconfortável e faz muito volume na bagagem. O isolante inflável da CAMP é prático para armazenar, porém deve estar bem cheio e quem for utilizá-lo deve evitar se mexer muito durante a noite. Não tiramos foto do nosso isolante térmico, então achamos essa imagem dele na internet, para ilustrar:

Fonte: Google imagens.

Talvez devêssemos tentar outra marca, com um formato diferente.

Enfim, acordamos cedo e resolvemos fazer um café, que hoje o passeio continua. Esquecemos do suporte para colocar o filtro do café, então até isso foi no improviso.

O caminho para o cânion Itaimbezinho é um pouco mais longo, mas a estrada é um pouco melhor.

Rota para o Cânion Itaimbezinho.

Este cânion fica dentro do Parque Nacional dos Aparados da Serra. A trilha até lá é plana, mas são 6 km de caminhada, sendo 3 km para ir e 3 km para voltar.

Aí sim 😉

Esses coletores de nevoeiro são parte de um projeto de pesquisa das universidades federais de São Paulo (USP), Goiás (UFG) e Santa Maria (UFSM).

 

Um conselho para quem for fazer esta trilha, leve algo para comer e bastante água.

De volta ao camping, era hora do almoço, fizemos o de sempre e levantamos acampamento para retornar à capital antes do anoitecer.

A volta foi tranquila, pela RS-020. Ficamos satisfeitos que tudo deu certo dessa vez, o amortecedor suportou a estrada até os cânions, o tempo bom ajudou e nos foi possível ter mais uma noção sobre os equipamentos de camping para a viagem do final do ano, principalmente os isolantes térmicos, tão essenciais na Patagônia. Continuaremos nas próximas postagens apresentando um pouco mais do nosso planejamento para Ushuaia. Obrigado por nos acompanhar até aqui.

Abraços e pé na estrada!

Quando (quase) acampamos em Cambará do Sul

Bom dia amigos e amigas da estrada! Dando continuidade ao plano de acamparmos na serra para testar alguns equipamentos, nos planejamos para ir para Cambará do Sul no feriado de Páscoa. Essa cidade, que fica a uns 200 km de distância de Porto Alegre, é quase na fronteira com SC e é onde se localizam os cânions Fortaleza e Itaimbezinho. Como esta época já é de frio, vamos testar a eficácia dos nossos sacos de dormir e dos isolantes térmicos.

Saímos de Porto Alegre de manhã bem cedo, pois hoje a estrada é um pouco mais longa. Para chegar lá é só subir direto pela RS-020 por Taquara e São Francisco de Paula.

Não conseguimos tirar uma foto melhor que essa, desculpem 🙁

Chegamos lá por volta das 13h00 e fomos direto para a Pousada das Corucacas. É uma pousada que fica numa fazenda (com o mesmo nome), que tem cabanas e área de camping, passeios a cavalo, caminhadas na mata nativa e pesca esportiva. Para quem se interessar, segue o link: http://www.corucacas.com.br/index.html

Montamos a barraca e fomos preparar o almoço, pois já passava das 14h00, o tempo estava feio e queríamos ir no cânion Fortaleza ainda naquele dia. Mas as coisas acabaram não saindo conforme o esperado.

O cânion Fortaleza fica dentro do Parque Nacional da Serra Geral, há aproximadamente 20 km da pousada. Mais da metade deste trajeto é de chão batido, com muitas pedras. O céu estava nublado, fazia frio e havia uma neblina muito forte, a nossa visibilidade estava bastante comprometida. Não conseguíamos enxergar direito para onde estávamos indo. Chegamos a pensar que talvez não fosse um bom dia para irmos até lá.

Esse pensamento se confirmou quando, após rodarmos uns 5 km no chão batido, passamos por uma pedra enorme e o amortecedor não aguentou. Escutamos um barulho e a traseira da moto desceu. Fim da linha para nós. Dali em diante era ver como sairíamos dali. Um casal até ofereceu ajuda, mas estavam em um carro pequeno, não tinha muito o que fazer. Mas conseguimos, não sabemos como, retornar com a moto assim mesmo, a 10 km/h, para a pousada e de lá acionar a seguradora.

A moto “rebaixada”.

Após o contato com a Porto Seguro, como nos deram uma previsão de apenas uma hora para nos resgatar, decidimos desarmar a barraca e guardamos tudo na bagagem. Após levantarmos todo o acampamento, mudaram a previsão para 3 horas, pois o caminhão estava vindo do litoral e teria que fazer toda a volta pela Rota do Sol, pois ele não conseguiria vir pela Serra do Faxinal. Já estava escuro para montar a barraca e tudo de novo, só nos restou aguardar o resgate.

Registro da moto sendo recolhida pelo guincho da seguradora.

O caminhão guincho da seguradora chegou por volta das 20h30. O dono da pousada, o Seu Roberto, a gentileza em pessoa, não nos cobrou nada (pois não pernoitamos) e nos prestou toda a assistência possível. Somos muito gratos. Chegamos em casa eram quase 23h30, não registramos mais nada pois o cansaço era imenso. Segue o estado do amortecedor após o incidente:

Já o enviamos para revisão em SP e já o recebemos de volta.

No final fica o sentimento, a chateação pelo acontecido, pela viagem ter sido interrompida e todo o transtorno, mas tudo isso faz parte. Talvez seja um sinal de que devemos ir em outro momento, com o céu limpo e mais preparados. O próximo feriado é o de 1º de Maio, vamos nos organizar para voltar a Cambará. Nos desejem sorte da próxima vez!

Abraços e pé na estrada!

 

Acampando no Parque da Cachoeira (Canela/RS)

Bom dia, amigos e amigas da estrada! Conforme abordamos na postagem anterior, o nosso plano de ir a Ushuaia em outubro requer preparação, planejamento e organização. Como pretendemos acampar durante esta viagem, decidimos testar alguns equipamentos por aqui pela serra gaúcha, porém, cientes de que o frio não é o mesmo… rsrsrs. Mas, pelo menos, treinar o seu manuseio e também para ir se acostumando com os diferentes ambientes de camping, já que uns terão mais estruturas que outros.

No fim de semana dos dias 02 e 03 de fevereiro deste ano fomos ao Parque da Cachoeira, em Canela/RS. Ainda era verão, então nosso foco era a organização do volume da bagagem. Aqui uma foto do que estamos levando: barraca, sacos de dormir, saco estanque para guardar roupas, isolantes térmicos, travesseiros infláveis, kit cozinha (panela, cantil p/ água com caneca embutida, talheres e duas canecas), comida, fogareiro e cartucho de gás.

Para quem não conhece, o parque fica localizado na RS-476, entre Canela e São Francisco de Paula, a uns 150 km de Porto Alegre. O parque possui uma estrutura com cabanas, áreas de camping, e realiza atividades como rapel e trilhas. Para quem tiver interesse, segue o link do site: http://www.parquedacachoeira.com.br/

Saímos de Porto Alegre pela BR-116 por Novo Hamburgo e subimos até lá, via Nova Petrópolis, pela RS-235.

Trajeto de ida até o Parque da Cachoeira pela RS-235.
Essa rota aqui também é conhecida como Rota Romântica.

Esse trajeto é o mais longo, mas vale a pena só de passar por Nova Petrópolis e Gramado.

O preço já não estava lá essas coisas…

Na rotatória do Parque do Saiqui, na RS-235 tem o acesso para a RS-476, e aí são aproximadamente 10 km de chão batido (e muita pedra) até o Parque da Cachoeira. Ele fica em frente à ponte de ferro de um acesso chamado Passo do Inferno, no encontro dos rios Cará e Santa Cruz.

Já havíamos rodado uns 3 km após entrarmos na RS-476.

Placa ao lado da ponte de ferro.
Entrada do parque.

O valor do camping na época estava R$ 40,00 por pessoa (valor adulto). Achamos caro, mas já conhecemos a estrutura deste parque, na verdade já o freqüentamos desde 2010, mas só tínhamos ficado nas cabanas. Escolhemos um local e armamos a barraca. A nossa é a Nepal para 2 pessoas, da Azteq. Bem fácil e prática de armar e desarmar.

Já era hora do almoço. Estamos em processo de aprendizado na culinária de camping, então, por agora, não conseguimos pensar em nada além de arroz com atum. Sustenta, mas estamos aceitando dicas para variar um pouco o cardápio, de forma prática, barata e boa.

Nosso kit cozinha ainda é bem rudimentar. Usamos a caneca do cantil para ferver água e usamos como “prato” também. Aí um de nós come na panelinha, onde a comida foi feita, e o outro come na caneca do cantil. É prático, é. Mas é um improviso, vamos aprimorar esta parte também, assim como o armazenamento correto dos alimentos.

Já havíamos testado o fogareiro e o cartucho de gás Tekgas 230g da Nautika, ele dura bastante até. Mas pensamos em levar um de reserva para Ushuaia, já que acamparemos bastante.

De barriga cheia, hora de visitar a cachoeira do rio Cará. Tem áreas demarcadas onde o banho é permitido. Ali tem muitas árvores de pinus e parreiras, a gente sente o cheiro conforme vai se aproximando da área de camping.

Quando foi anoitecendo, a temperatura caiu um pouco, mas nada muito drástico. Não foi como o Dia dos Namorados de 2016, por exemplo. Aqui sim seria bom como um “treinamento”.

Foto do dia 12/06/2016.
Ainda era outono.
Isso aqui é o mínimo que a gente espera da Patagônia.
Aqui tava moleza.

A noite foi tranquila, dormimos bem. Ainda não sabemos como será dormir (ou tentar pelo menos) no frio da Patagônia. Mas ainda temos tempo e todo um inverno pela frente. Hora de levantar, fazer um café para acordar, e pegar a estrada de volta, pois temos compromissos familiares nos aguardando que não nos permitiram nos estender por todo o fim de semana neste lugar maravilhoso.

Na hora de desarmar a barraca, um aprendizado muito importante para todos nós: sempre sacudir bem a barraca antes de guardar e as botas antes de calçar.

Nós nunca estamos sozinhos na mata.

Saímos ainda de manhã do parque e, dessa vez, voltamos para Porto Alegre pela RS-020 descendo por Taquara e Gravataí.

Trajeto de volta para Porto Alegre.

RS-020.

Acho que para o dia de hoje é isso. Em relação à bagagem, concluímos que o nosso saco de dormir de inverno, que é o Super Pluma da Trilhas e Rumos, apesar de muito bom para proteger do frio (conforto +6ºC, tolerância +4ºC e extremo 0ºC), é muito volumoso. Pensamos na possibilidade de utilizarmos sacos de dormir de verão e adicionar liners a eles, que podem nos dar um ganho de temperatura de até 15ºC. Vamos ver. Ainda temos outros campings pela frente para acertos e erros, e tudo vira aprendizado. Como na próxima postagem, que contaremos uma empreitada que não saiu muito conforme o planejado no feriado de páscoa em Cambará do Sul. Fiquem ligados.

Abraços e pé na estrada!