PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 20º dia

Data: 03/11/2018

A Porto Seguro chegou mais ou menos no horário. Tivemos que tirar toda a bagagem, que irá no porta malas do táxi. Nos despedimos do dono do hostel, o Seu Fabiano que, prestativo como sempre, aguardou o guincho junto com a gente. Nos despedimos até do cachorro do Seu Fabiano.

Aguardando o guincho na garagem do hostel.
Tchau, doguinho!

Certa vez a gente ouviu de alguém que nós pagamos seguro para nunca precisar usar. É verdade. Mas é sempre melhor pagar, porque nunca sabemos o dia de amanhã. E podemos dizer que a Porto Seguro não nos deixou na mão. Não é uma apólice barata, mas pela nossa experiência, valeu a pena.


Quando a moto estava pronta, o carro ainda não havia chegado. O caminhão, então, foi na frente, e logo depois o carro chegou.

Partimos pela BR-290 por São Gabriel, onde paramos para almoçar.

E finalmente, 630 km depois, chegamos em Porto Alegre. De volta à casa, ao chuveiro, à cama, ao travesseiro.

A quem acompanhou essa nossa empreitada até aqui, o nosso muito obrigado. Esperamos que a viagem em si tenha ajudado alguém no seu próprio planejamento, tenha fornecido informações úteis de destinos na Argentina, mesmo que não tenhamos conseguido chegar até o nosso destino final. E, principalmente, esperamos que o que nos aconteceu tenha contribuído de alguma forma para quem está iniciando na estrada, especialmente para ver que imprevistos de toda a sorte podem acontecer. Mesmo só conseguindo chegar até Bariloche não consideramos esta viagem um fracasso, pois com todos esses problemas na moto, foi até bom que tudo aconteceu mais perto da fronteira com o Brasil. Ficamos imaginando se tudo isso tivesse acontecido conosco já estando lá em Ushuaia. Não conseguiríamos voltar dessa mesma forma e gastaríamos muito mais, provavelmente estourando o orçamento da viagem, o que não aconteceu agora.

Enfim, Ushuaia não vai sair do lugar. Agora é processar o que aconteceu, tentar consertar o que estiver de errado com a moto e rever nossas possibilidades de novas viagens daqui para frente. Temos certeza de que na próxima estaremos mais bem preparados e mais tranquilos, mesmo se houver imprevistos. Todos esses relatos estarão disponível em links nas nossas redes sociais, junto com as fotos. Acessem nosso Instagram, @traillifers.

Muito obrigado, abraços e até a próxima!

Chegando em Porto Alegre/RS.
Home sweet home!

 

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 19º dia

Data: 02/11/2018

Penúltimo dia de viagem, esperamos que sim. Saímos de Zárate pela RN12 (passamos pelas pontes novamente), até Ceibas, de lá pegamos a RN14 direto até Uruguaiana.

Saída do hotel em Zárate.
RN12

No caminho abastecemos três vezes. No primeiro posto colocamos 9,90 litros e pagamos R$ 50,25 (9,90 litros), no segundo, 8,40 litros e pagamos R$ 36,26 e, no terceiro, enchemos 7,70 litros por R$ 33,15.

Já na saída de Zárate em direção ao primeiro posto de combustível, já sentimos a embreagem patinar. Bateu aquele desespero. Só precisávamos chegar até a fronteira com o Brasil, em Uruguaiana, que estava a aproximadamente 600km dali

Paramos no posto para tentar algum resgate, guincho, pick-up…Mas nada! Conversamos por 5 minutos e decidimos seguir em frente. Nosso medo era ficarmos no meio da estrada, mas como o caminho a frente era somente reta, tentaríamos parar o mínimo possível.

Vencemos os 590km até a aduana em Paso de los Libres, fizemos a saída da Argentina e a moto já mal arrancava em 1ª marcha. Sabiámos que mal daria para chegar no Hostel, mas isso era o suficiente!

Após registrar a entrada no Brasil, fomos em baixa velocidade, mas em alta rotação até o Hostel, sempre procurando não parar nas esquinas, sorte ser uma cidade do interior em dia de Finados.

Oi Brasil!

Foi só o tempo certinho de chegar no portão do hostel e a moto nem subiu a rampa do estacionamento. Colocamos ela para dentro na mão e nos instalamos novamente no Solar dos Tchuccos.

O hostel de ficamos na ida. Diária: R$ 120,00.

Agora é acionar a Porto Seguro e aguardar o guincho amanhã. Menos mal que o seguro que fizemos cobre, além do caminhão guincho, um translado de carro para os passageiros do veículo resgatado. Enfim, como é bom estar de volta ao Brasil. Por mais que o problema continue, ou até pior, a moto nem anda mais, só o fato de estarmos na terra da gente, parece que fica tudo menos complicado. De novo, talvez alguns anos a mais de estrada mude essa sensação.

Mais alguém aí com cara de cansado?

Nem acreditamos que conseguimos rodar os 592 Km. O cansaço nos consumiu de tal forma que só fomos comer um sanduíche no Subway e voltamos para descansar. O guincho ficou marcado para amanhã às 8h00. Abraços e pé na estrada (guinchados, mais ainda vale)!

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 4º dia

Data: 18/10/2018
Na saída de Chivilcoy percebemos que o tempo estava mudando, estava mais nublado. Tínhamos que nos apressar para não pegarmos uma eventual chuva no caminho. Hoje é só descer reto a RN5 até Santa Rosa, são aproximadamente 453 km.

 

 

 

Paramos para abastecer, colocamos 9,23 litros por 450 pesos. Pela primeira vez (de muitas que vieram), fomos parados pela polícia rodoviária para inspeção de rotina. É impressionante como a fiscalização nas rodovias aqui na Argentina funciona bastante. Pediram o documento do condutor, do veículo, perguntam para onde estamos indo, tudo na maior tranquilidade e na maior educação. Entregamos o que foi pedido, verificaram e nos liberaram, em todas as vezes.

 Fizemos reserva no Hotel Lihuel Calel, bem na beira da RN5. A diária saiu por 1.200 pesos.
Foto obtida do Google Imagens.
O hotel é um labirinto mas é muito bom.

Jantamos no hotel mesmo, não havia muita coisa ali por perto da rodovia. Gastamos 913 pesos, com mais o valor do combustível, nossa despesa total do dia foi de 2.536 pesos (260 reais). Amanhã retomaremos um pouco do roteiro original indo para Villa Regina, se o tempo ajudar podemos até acampar por lá. Mapeamos dois campings municipais bem à beira da RN22. Até a próxima e pé na estrada!

 

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 3º dia

Data: 17/10/2018

Saímos de Concepción Del Uruguai de manhã bem cedo, apesar de termos decidido rodar até Chivilcoy, que fica a 362 km dali. Vai que dá algum problema na moto ou algo do tipo, ainda estamos vigilantes.

Estacionamento do Hotel Mitre, em Chivilcoy.
Pegamos a RN14 até Ceibas, quando ela vira a continuação da Ruta Nacional 12, que nasce em Zarate e vai até Puerto Iguazu, quase divisa com o Paraguai.

 

Em Zarate, passamos pelas pontes Zarate-Brazo, que formam o Complexo Ferroviário União Nacional e que ligam as províncias de Buenos Aires (Zarate) e Entre Ríos (Brazo Largo).
É possível ver a ponte ferroviária do complexo Unión Nacional.
Ponte General Mitre (Zarate-Brazo Largo).

 

São duas pontes, uma rodoviária e outra ferroviária, que cruzam dois braços do Rio Paraná, o Paraná Guazu e o Paraná de las Palmas.  A construção delas iniciou em 1971 e terminou em 1977.

Ponte em construção na década de 70 (imagem obtida do site www.historiaybiografias.com)

A parte da ponte que passa por cima do Paraná Guazu ganhou o nome de Justo José de Urquiza, porém, quando atravessa o Paraná de las Palmas o nome muda para Bartolomé Mitre.

Paramos para abastecer duas vezes nesse trajeto: na primeira parada colocamos 10,90 litros, que saiu 450 pesos. Na segunda, próximo a Zarate, enchemos o tanque com 10,28 litros por 435 pesos (total de 21 litros por 885 pesos).

De Zarate, rodamos aproximadamente uns 60 km pela Ruta Provincial 6 (não recomendamos, uma buraqueira só e muito perímetro urbano, a viagem não rende por causa do trânsito) até chegarmos perto de Luján (onde ficaríamos na primeira noite conforme o plano original) e dali pegamos a RN5 e descemos ela até chegar a Chivilcoy. De Luján até ali deu uns 100 km, aproximadamente.

Chegamos cedo em Chivilcoy, já tínhamos feito reserva no hotel Mitre, já entramos direto no estacionamento e fizemos check in por volta das 16h30.

Imagem obtida do site www.expedia.com.my/Chivilcoy.

A hospedagem no hotel saiu por 950 pesos o quarto de casal. Fomos atrás de um lugar para comer, mas os poucos restaurantes que tinham na redondeza abriam somente após às 18h00. Aproveitamos então para dar um passeio pela Plaza 25 de Mayo, que fica bem ao centro da cidade.

Às 18h00 em ponto, loucos de fome, fomos comer uma pizza em um lugar especializado em pizzas de mussarela, o Quiero Mussa. Aprovado!

O valor total em alimentação (pizzas, refrigerantes e mais umas bobagens que compramos em um supermercado) ficou em 350 pesos, o que deu um total de despesas no dia de 2.195,50 pesos (convertidos na época em 222 reais). Nos presenteamos com algo para nos ajudar a relaxar e dormir tranquilos.

Boa noite, cinderelos.

No fim a moto não apresentou nenhum problema até agora, pensamos que aquele vazamento de óleo pode ter sido do óleo da corrente, devido à alta temperatura na estrada, e não do amortecedor. Desde que chegamos a Chivilcoy, não percebemos mais nenhum vazamento. Agora é seguir daqui para Santa Rosa. Abraços e pé na estrada!

 

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 2º dia

Data: 16/10/2018

Diferente de São Borja, a fronteira entre Uruguaiana e Paso de los Libres não é unificada, assim que tivemos que carimbar a saída do Brasil do lado de cá, atravessar a ponte internacional, e depois fazer a entrada na Argentina do lado de lá. Mas antes, uma passadinha necessária na casa de câmbio. Trocamos 300 euros por 13 mil pesos argentinos.

Aduana no lado brasileiro, onde carimba a saída.
Início da ponte internacional
Rio Uruguai

Aduana em Paso de los Libres

A aduana de Paso de los Libres é bem mais movimentada do que a de São Borja/Santo Tomé, aqui fazem a inspeção dos veículos, em especial os automóveis. Mas foi bem rápido o processo até. Entramos na Argentina e logo que pegamos a RN14 paramos para abastecer. Estávamos com saudades dos postos YPF. Os 9,70 litros de gasolina ali saíram por 405 pesos.

Lembram daquela sensação estranha, que incomodou desde o começo da viagem? Então, começou novamente quando percebemos que estava pingando óleo de onde achávamos que era o amortecedor. E quem acompanha o nosso blog lembra que lá em Cambará do Sul, no feriadão de Páscoa do ano passado, tivemos problemas com o amortecedor da Ténéré indo para o Cânion Fortaleza e tivemos que enviar para reparo, pois não é o original. Já começou a bater a ansiedade, pois ainda estávamos no início da viagem. Tudo bem que não é a mesma estrada dos cânions, mas a moto estava bem mais pesada com a bagagem e garupa. Ficamos naquela, voltar para casa e interromper a viagem dali quando mal entramos na Argentina ou seguir e correr o risco de ter problemas com o amortecedor mais uma vez, o que prejudicaria a viagem de qualquer maneira, pois estaríamos mais longe de casa?

No posto de gasolina tínhamos encontrado dois rapazes, que residem em São Leopoldo/RS, que estavam indo para o Chile de moto e pararam para nos oferecer ajuda. O povo da estrada, como sempre, parceiro. Mas estávamos tão apreensivos que nem perguntamos o nome deles, mas fica aqui o nosso profundo agradecimento. Estávamos parados em um posto, os dois rapazes conosco tentando nos ajudar, quando parou um grupo de uns senhores mais velhos, em motos maiores, que também nos ofereceram ajuda. Um deles ligou para um amigo que tinha uma loja autorizada da Yamaha na próxima cidade a uns 30 km dali. Os rapazes de São Leopoldo nos escoltaram até a entrada da cidade, e depois seguiram seu caminho.

Um dos rapazes nos escoltando ali na frente.

De qualquer forma, como o amortecedor não é original da Yamaha, não teve muito o que fazer, resolvemos seguir viagem e ver no que ia dar. Iríamos acampar em Luján, mas, ao invés disso, decidimos ficar um pouco antes, em Concepción Del Uruguai, sempre seguindo pela RN14.

Encontramos um hotel com um preço bem em conta, o hotel Virrey, pegamos um desconto no Booking.com (já devíamos ter pensado nisso lá no Atacama em 2017, pela praticidade de já chegar em um lugar com a reserva feita e não ter que ficar vagando atrás de hostel como fizemos). A diária aqui saiu por 1.260 pesos

Hotel Virrey em Concepción del Uruguai.
Entrada do estacionamento (gratuito).

Enfim, não foi um dia muito interessante, com coisas boas ou belas paisagens para mostrar, mas quisemos dividir também esses momentos de angústia, que temos a certeza que acontece com todos que se aventuram na estrada. Por sorte, nada como uma parrillada e uma Quilmes para esquecer os problemas. O jantar ali saiu por 860 pesos.

Ao final, gastamos um total de 2.525 pesos (256 reais) e fizemos 391 km até Concepción Del Uruguai. Próximo dia, tentaríamos ir para Santa Rosa, mas vamos ver como a moto vai se comportar até lá. Enquanto isso vamos vendo alternativas se precisarmos parar antes. Nos desejem sorte. Abraços e pé na estrada!

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 1º dia

Data: 15/10/2018

É isso mesmo que você está lendo, o título está correto. Conforme divulgamos nas nossas redes sociais, não foi desta vez que chegamos a Ushuaia. Por motivos de problemas na moto, que iremos relatar mais adiante, só conseguimos ir até Bariloche.  Mas decidimos mesmo assim relatar aqui a nossa viagem, pelo menos onde foi possível chegar, pois acreditamos não haver motivos para não compartilharmos o que deu certo e também o que deu errado em nossa aventura. E, verdade seja dita, Bariloche não é nada ruim. Já saímos do Brasil com uma sensação estranha, replanejando todo o nosso roteiro, decidimos descer direto pela Ruta 40 e evitar o Chile (de fato, constatamos que fazer Ushuaia via Carretera Austral do inicio ao fim, mais Torres Del Paine, era um plano bastante megalomaníaco para apenas 30 dias no ritmo que costumamos fazer nossas viagens). Enfim, foi uma experiência diferente da nossa ida ao Atacama em 2017, mas cada experiência é única e a vida é assim mesmo, não somos os únicos a ter passado por isso. Ficamos chateados, com certeza, mas tentamos fazer dos limões uma limonada e podemos dizer que ela ficou ótima. No fim, existiu uma viagem, ela só teve um destino diferente.

Partiu!

Então, neste dia 15 de outubro, saímos de manhã cedo de Porto Alegre para irmos até Uruguaiana pela BR-290. O trajeto foi tranquilo e o tempo estava bom, tirando os buracos costumeiros aqui e ali nas nossas estradas e o enorme tráfego de caminhões, tudo correu bem. Paramos duas vezes para abastecer, no primeiro posto gastamos R$ 53,00 e no segundo R$ 54,00.

BR-290

As estradas no RS (sejam elas federais ou não) realmente não andam lá essas coisas.

Ah, os caminhões…

Paramos um pouco antes de Rosário do Sul para comer um lanche, recomendamos o pastel do Restaurante Le Sorelle (fica à beira da BR-290, ao lado do posto Shell), estava maravilhoso.

 

Pausa para o almoço
Seguindo viagem que tem chão pela frente.

A velocidade se mantinha nessa média
Quase

Chegamos em Uruguaiana por volta das 16h30 depois de rodarmos um total de 620 Km. Nos hospedamos no Hostel Solar dos Tchuccos, que fica bem perto da ponte internacional para Paso de los Libres. A diária saiu R$ 120,00 o quarto para casal, eles só não servem café da manhã. Apesar disso, o dono da pousada, Sr. Fabiano é muito atencioso e prestativo, e o hostel oferece uma linda vista do por do sol e da ponte.

Área interna do hostel

Vista da ponte internacional
🙂

De tardezinha, fomos até a praça central de Uruguaiana e comemos um sanduíche no Subway, estávamos muito cansados. Contando os gastos com alimentação, mais hospedagem e combustível, a despesa do dia foi de R$ 275,00. Fomos descansar cedo para encarar a aduana argentina no dia seguinte. Até mais e pé na estrada!