PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 14º dia

Data: 28/10/2018

E finalmente vamos deixar Bariloche, depois de uma semana intensa, no bom e no mau sentido. Apesar de todos esses contratempos, até que conseguimos aproveitar e descansar durante essa semana. Saímos pela RN 237 para cortar caminho até à RN22 para, com sorte, conseguir chegar até Villa Regina novamente.

Nós já RN237.

Devagar e sempre.
Ainda conseguindo apreciar a paisagem da província de Neuquén.

Havíamos rodado uns 100 km quando, em uma subida, a moto começou a perder potência. Paramos em um acostamento, desconfiados que o problema desta vez era na embreagem. Dito e feito, abrimos a tampa do reservatório de óleo do motor e saiu a fumaça e o cheiro dos discos queimados. Estávamos no meio do nada, não passava ninguém. Estávamos na mesma situação da volta da viagem do Atacama, no meio da estrada vazia, torcendo para uma alma solidária parar e nos ajudar.

Logo em seguida vimos uma caminhonete Toyota Hilux vindo do mesmo sentido nosso, parou logo mais à frente. Era um casal, que desceu e nos ofereceu ajuda, o Claudio e a Susana. O Claudio usou umas cordas que tinha na caçamba para rebocar a moto até a cidade mais próxima.

Imagem do reboque da Ténéré pela Hilux.

O problema é que era fim de semana e não sabíamos se encontraríamos alguma oficina aberta. O Claudio parou em uma cidadezinha, que a essa altura já não perguntamos nem o nome) onde um amigo dele tinha oficina, mas estava fechada. Decidimos colocar a moto na caçamba da caminhonete e seguir para Neuquén, que é onde eles moram, e lá tentar achar um lugar para reparar a moto.

Um clique com os nossos anjos da guarda, Claudio e Susana, para a posteridade.

Talvez se tornou praxe nas nossas viagens encontrarmos pessoas tão boas, que nos ajudam até além do que precisamos. Tivemos muita sorte de ter conhecido este casal maravilhoso, eles não só levaram a moto na caminhonete deles, como nos levaram em uma oficina de confiança deles e ainda encontraram um hostel para nós. Nos largaram na porta do lugar. O Hostel Portal de Sueños nos cobrou 1.200 pesos o casal por pernoite. E detalhe, sugeriram que a moto ficasse no galpão da fábrica deles (eles têm uma empresa de comunicação visual que atende várias empresas na região) até o dia seguinte, porque ele mesmo se prontificou a nos levar nesta oficina mecânica. Já temos uma dívida enorme com eles até aqui.

Fachada do Hostel Portal de Sueños.

No total, com a ajuda do Claudio e da Susana, rodamos um total de 439 km de Bariloche até Neuquén. Constatamos, depois, que ela já marcava mais de 78 mil km com ela. Mas agora é hora de comer algo, descansar e aguardar para ver o que o que o amanhã nos reserva com esse novo problema. Abraços e pé na estrada!

Lá se vão 78.439 kms em 5 anos.

 

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 11º, 12º e 13º dias

Data: 25, 26 e 27/10/2018

Terceiro dia de folga, dia de passeio no Cerro Catedral! Fomos de manhã ainda para aproveitarmos bem. Pagamos 1.180 pesos a entrada para o Cerro (590 pesos por pessoa). No site do local tem informações mais detalhadas sobre as tarifas, quem tiver interesse, pode acessar https://www.catedralaltapatagonia.com/tarifario.php .

Na entrada é bem parecido com o Cerro Campanário, só que no Campanário a gente não sobe até as montanhas de neve. É um outro panorama.

Entrada do Cerro Catedral.

Para chegar lá, a gente pega um primeiro teleférico, que nos leva a uma estação, uma espécie de paradouro.

Primeiro teleférico

Entrada do segundo teleférico, que sobe até o Cerro.

De lá, a gente tem que pegar um segundo teleférico, que vai nos levar para o Cerro.

No final da viagem de teleférico eles nos fotografam e oferecem a foto por 300 pesos. Eles mandam revelar em uma loja no centro de Bariloche e nos dão o recibo para retirar depois.

A foto tirada no teleférico, na chegada ao Cerro.

Já era quase hora do almoço, então resolvemos ficar por lá. Ali tem um restaurante panorâmico bastante aconchegante. Comemos por ali mesmo. A essa altura já não estávamos registrando de forma detalhada todas as nossas despesas, então não temos a informação do quanto gastamos ali. Os contratempos com a moto nos desacomodaram de um jeito que, ali só queríamos relaxar e curtir, estávamos precisando, principalmente porque essa jornada ainda não tinha terminado.

Isn’t it?

Aproveitamos a paisagem dali, pois não estamos acostumados a tanta neve assim.

Curiosidade: vimos muitas luvas pelo caminho, no chão. Achamos que o povo tenta tirá-las para fotografar e acaba caindo lá embaixo… rsrsrs

De lá, tentamos ir até o Hotel Llao Llao, mas não conseguimos chegar até lá. Aconteceu o que temíamos. Notamos outro raio quebrado. Não acreditávamos que teríamos que desembolsar novamente com esse conserto. Enfim, levamos a moto de novo na oficina do Alejo, mesmo processo. Ele levaria no “bicicletero” e entregaria no dia seguinte no final da tarde.

Bom demais para ser verdade… outro raio quebrado…

O passeio meio que acabou ali, voltamos para o hostel, contatamos o mecânico e levamos a moto lá. Depois saímos para jantar, e assim foram os outros dias também.

Lá e aqui outra vez…

Quanto às despesas normais, conseguimos manter uma média de 2.000 a 3.000 pesos por dia (o que corresponde a mais ou menos 300 a 400 reais). Mas o novo conserto saiu por mais 2.000 pesos. Somando com o anterior, foram 5.000 pesos gastos até agora nessa função. Já estamos pensando que talvez já seja hora de voltar para casa.

No próximo post, o rumo ao desconhecido. O início da volta para casa foge mais uma vez do planejado, afinal, já que é para ter aventura, não é mesmo? Abraços e pé na estrada!

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 9º e 10º dia

Data: 23 e 24/10/2018

Hoje é dia de buscar uma oficina mecânica em Bariloche. O pessoal do hostel nos indicou o Alejo Motos, não ficava muito longe dali. Tomamos nosso café da manhã e fomos até lá. O mecânico era um rapaz bem novo, mas parecia ter experiência na área. Só ele disse que talvez demorasse um pouco o conserto, pois quem faria o enraiamento da roda seria alguém que ele chamou de “bicicletero” (e que nós imaginamos que é quem faz manutenção de bicicletas lá), que trabalhava para ele em outra oficina ali perto. Ou seja, ele desmontaria a roda, levaria no borracheiro para retirar o pneu e depois deixaria a roda no bicicletero. A logística era grande.

Fachada da oficina mecânica Alejo Motos.

Deixamos a moto lá e voltamos a pé pelo centrinho de Bariloche. Talvez os próximos 2 dias serão assim. Aproveitamos então, para descansar e revisitar lugares que nos marcaram em 2016. Fomos almoçar no La Andina, “el viejo bodegón de Bariloche”, um restaurante antigo e muito bom.

La Andina, “el viejo bodegón de Bariloche”.
Salud

À noite fomos revisitar uma pizzaria que gostamos muito na época, mas que não lembramos o nome. Só lembramos que o ambiente era bem caseiro, quase meio “roots” e tocava Manu Chao. Mas, eis que paramos na frente e agora era um lugar completamente diferente. Uma decoração mais sofisticada, o nome do lugar é Pala Romana. Não sabemos se já era esse o nome da pizzaria antes, mas, se for, trocou de proprietário(a). De qualquer forma, não lembra em nada aquele lugar da nossa lua de mel, mas a pizza continua deliciosa.

Pizzaria Pala Romana.

No dia seguinte (24/10), no fim da tarde, o mecânico avisou que a moto estava pronta. O conserto da moto saiu por 3.000 pesos. Uma troca de óleo, mão de obra do mecânico, do borracheiro, do “bicicleteiro” e mais 5 raios novos, que são bem caros na Argentina. Ainda bem que já tínhamos separado um troco para visitar o Cerro Catedral amanhã. A partir de agora nós paramos de anotar nossos gastos, já estávamos ficando estressados com tudo isso. Mas o valor da hospedagem, pelo menos, já conseguimos registrar. Como pagamos hospedagem até sexta-feira (27/10), vamos aproveitar o passeio de amanhã. Abraços e pé na estrada!

PROJETO (QUASE) USHUAIA 2018 – 8º dia

Data: 22/10/2018
O dia de hoje foi decisivo, pois foi o dia em que tivemos que tomar decisões difíceis e mudar todos os planos da viagem. Às 9h, após o café da manhã, fomos à casa de câmbio, e trocamos 500 dólares (17.700 pesos argentinos), 350 euros (147,70 pesos argentinos) e 444 pesos argentinos (8.000 pesos chilenos), pois era o dia de cruzar a fronteira. Voltamos ao hostel e começamos a carregar a moto para partirmos, quando percebemos dois raios da roda traseira quebrados. Isso não é nada bom. A moto está mais pesada, com garupa e ainda tínhamos muito chão pela frente. Mas a prioridade era tentar consertar os raios.

 

O pessoal do hostel nos indicou uma oficina, mas eles não poderiam consertar naquele dia, teríamos que passar mais um dia ou dois em San Martín. Decidimos ir até Bariloche, que era a 190 km dali e, como uma cidade maior, teria mais estrutura para nos atender.
Pegamos a RN40 e fomos com cuidado, preocupados. Mas conseguimos, ao menos, aproveitar um pedaço do Caminho dos 7 Lagos. O gasto de gasolina hoje foi 300 pesos (9,50 litros). Os 7 lagos que formam este caminho, na verdade, não são exatamente 7. Oficialmente são formados pelos Lagos Lácar, Machónico, Falkner, Villarino, Escondido, Correntoso e Espejo. Porém, os lagos Espejo Chico, Traful e Hermoso também servem como um “bônus”, é que eles não ficam bem à margem na Ruta 40, é preciso fazer pequenos desvios para acessá-los. E ainda tem o Nahuel Huapi, que banha Bariloche e é tão bonito quanto os outros. Nós paramos nos miradores dos lagos Lácar, Machónico, Correntoso e Nahuel Huapi, no parque nacional que leva o mesmo nome,

 

Lago Lácar

Lago Machónico

Lago Correntoso

No meio do caminho fomos conversando e tomamos uma decisão importante. Estamos planejando e nos preparando (física, mental e financeiramente) há praticamente um ano para esta viagem até Ushuaia, era importante para nós conseguir chegar até lá. A gente divulgou, pediu para as pessoas acompanharem, imaginamos que daríamos dicas sobre Torres Del Paine, e estávamos mesmo ansiosos para conhecer El Calafate, o Glaciar Perito Moreno, as Catedrais de Mármore, a Carretera Austral e Ushuaia. Mas às vezes as coisas não acontecem como a gente planejou e a gente tem que tomar decisões rápidas e tentar fazer o melhor com o que deu para fazer.

 

Parque Nahuel Huapi. Já estamos próximos a Bariloche.

 

Em 2016 passamos a nossa lua de mel em Bariloche, mas foi um outro tipo de viagem, foi de avião, ficamos em um hotel 5 estrelas, saímos para jantar, tudo de acordo com uma boa lua de mel. Mas, na época, já dizíamos que um dia voltaríamos ali, só que de moto e ficaríamos em hostel, bem o tipo de viagem que fazemos agora. E talvez, por acaso, esse dia pode ter chegado. Já estamos atrasados no nosso planejamento e o gasto diário esta acima do programado. De qualquer forma teremos que gastar tempo e dinheiro para consertar a roda, não há condições de seguir viagem assim e ainda mais com  2.000 km pela frente. E se acontecesse de novo? E se quebrassem mais raios em lugares sem estrutura? Não sabemos como isso aconteceu, mas, depois de muito ponderar, decidimos gastar o restante do tempo e do dinheiro fazendo uma segunda lua de mel em Bariloche, visitando os lugares que não nos foi possível em 2016.
Ao fundo, San Carlos de Bariloche.

Encontramos no Booking o Universal Traveller Hostel, ficava relativamente perto do centro e o preço estava maravilhoso. Ficamos uma semana inteira por 3.500 pesos, foram 690 pesos por dia. Conseguimos um quarto de casal, o pessoal do hostel muito atencioso e nos recomendou uma oficina mecânica para levarmos a moto.
Hostel Universal Traveller Lodge
Nos acomodamos, tomamos um banho e fomos jantar em um lugar que já havíamos gostado na lua de mel, o Rock Chicken. Bom, barato (tudo deu 370 pesos), cerveja gelada e um bife de chorizo assado no ponto. Já está tudo ficando melhor.
Rock Chicken
Salud
A despesa total do dia foi de 1.722,50 pesos (173 reais). Mas sabemos que a partir de amanhã vai aumentar um pouco, então vamos ter que reavaliar nosso orçamento da viagem. Mas vai dar tudo certo. Sempre dá. Vamos tirar a semana de folga, até para se reorganizar psicologicamente, mas tentaremos mostrar aqui lugares bacanas que iremos conhecer. Talvez dessa vez possamos ir ao Cerro Catedral, em 2016 não foi possível, só conseguimos ir ao Cerro Campanário. E nem estava nevando. Até a proxima!