Quanto custou a nossa viagem para o Atacama ($)?

Hoje vamos mostrar um aspecto importante do planejamento da viagem que realizamos ao Atacama em outubro de 2017, cujos relatos e imagens vocês puderam acompanhar até agora.
Fotos, e impressões apresentadas, agora vamos ao que interessa. Quanto custou para nós dois esta viagem? Onde o gasto foi maior? Estipulamos um teto? Vamos então apresentar uma “prestação de contas” da nossa viagem.

Primeiramente, quanto levamos na viagem e de que forma?
Levamos US$ 1.000 e R$ 2000, tudo em ESPÉCIE. Os cartões de créditos foram levados somente para casos de emergência, felizmente não precisamos usar nenhum. Trocamos os dólares na aduana de São Tomé, em Tilcara, San Pedro de Atacama e Antofagasta. Os reais foram trocados em Corrientes e San Pedro de Atacama. Uma dica em SPA é pesquisar bem entre as várias casas de câmbio na cidade. Vale a pena bater perna por duas quadras para minimizar as perdas de conversão.

Quanto às taxas de documentação, nós não incluímos o valor de US$ 24,00 para o SOAPEX, seguro obrigatório para entrarmos no Chile, pois não tínhamos feito a conversão até hoje, então ele não está somado ao valor total de despesas da viagem, então lá no valor total, acrescentem mais esta taxa. A Carta Verde, seguro para entrarmos na Argentina, nos foi concedida como cortesia pela Porto Seguro.

Para calcularmos o total das despesas, separamos em 4 critérios: alimentação, combustível, hospedagem e passeios. Elaboramos este gráfico com o panorama geral das nossas despesas com bases nesses critérios, mais abaixo descrevemos melhor como foram estas despesas.

Então vamos lá:

1. COMBUSTÍVEL
Nada mais adequado começarmos pela questão central que abalou o nosso país ultimamente, os gastos com o combustível. Na Argentina abastecemos na rede YPF e no Chile utilizamos a rede Copec na maioria das vezes,
em uma ou duas cidades abastecemos em postos BR/Petrobrás. Por país, a despesa total com combustível foi de:
BRASIL: R$ 197,30 – média de valor nos postos de R$ 4,26 o litro. Abastecemos 4 vezes (2 na ida e 2 na volta).
ARGENTINA: R$ 656,96 – média de valor nos postos de R$ 4,25 o litro. Abastecemos 15 vezes (8 na ida e 7 na volta).
CHILE: R$ 410,77 – média de valor nos postos de R$ 3,90 o litro. Abastecemos 9 vezes nos 6 dias que permanecemos no país.
DESPESA TOTAL: R$ 1.265,03.
A viagem iniciou no dia 16 de outubro e terminou em 1º de novembro, durando um total de 17 dias. Sendo assim, o total rodado foi de 7.409 km e utilizados 298 litros de gasolina, com uma média de 24,8km/l.
A melhor média foi 30 km/l e a pior foi 20 km/l (O vento no Chaco fez o rendimento da moto cair drasticamente). A média total do valor do litro gasto foi de R$ 4,24.
A gasolina mais barata que pagamos foi em San Pedro de Atacama, R$ 3,66 o litro. E a mais cara foi em Tilcara, na entrada da cidade, R$ 5,15 o litro.
2. HOSPEDAGEM
Não tínhamos todos os equipamentos de camping na época, então decidimos ficar em hostels e hotéis com preços acessíveis.
No Brasil não tivemos gastos, pois ficamos na casa de familiares em São Luiz Gonzaga/RS (próximo à fronteira). Para os demais locais, estipulamos um teto 150,00 para o valor da estadia.
O total de despesas com hospedagem distribuído em:
ARGENTINA: R$ 754,45
CHILE: R$ 949,42
DESPESA TOTAL: R$ 1.703,87

Conseguimos nos manter dentro desta meta para todos os lugares, com exceção de Copiapó, que pagamos r$ 180,00 o quarto de casal. Esta foi a hospedagem mais cara, enquanto a mais barata foi de R$ 60,00 por um quarto com beliche em San Pedro de Atacama.

3. ALIMENTAÇÃO
Como ficamos em hostels e hotéis, buscamos lugares com preços também acessíveis para comer. A única exceção foi Monte Quemado, que jantamos no hotel, pois não havia nada em volta. Percebemos que não é muito barato comer no Chile, pelo menos comer decentemente. E como já estávamos economizando na hospedagem, nos permitimos apreciar boas refeições por lá. Assim como a hospedagem, no Brasil também economizamos na alimentação, o gasto foi mínimo, com garrafas de água e barras de cereais para comer na estrada. Então, os gastos se distribuíram assim:
BRASIL: R$ 5,00
ARGENTINA: R$ 334,31
CHILE: R$ 832,23
DESPESA TOTAL: R$ 1.171,54 com uma média por dia de R$ 68,00.

4. PASSEIOS
Só no Chile foram realizados passeios pagos, nas Lagunas e no Valle de La Luna, que somaram um total de R$ 85,47.
É importante saliantar que esses valores são apenas das entradas dos locais, pois fomos de moto, seguindo as vans, não contratamos nenhuma agência.

E onde gastamos mais?
Em relação a despesas por país, o gasto obviamente foi maior no Chile, pois, embora o combustível lá seja mais barato, tivemos mais gasto com hospedagem, alimentação e os passeios, somando um total de R$ 2.277,89, enquanto na Argentina gastamos um total de R$ 1.745,72 e somente R$ 202,30 no Brasil.  Fizemos também este gráfico para melhor visualização do comparativo:

Mas, afinal, quanto custou a viagem no total?
O total de gasto da viagem toda foi de R$ 4.225,91.
Pelos nossos cálculos, gastamos aproximadamente US$ 76,00 por dia (o casal). Ficamos até abaixo da média de U$ 100,00 por dia que outros viajantes que pesquisamos usam para calcular o teto de suas despesas.

A conversão das moedas para calcular o total de gastos foi feita no câmbio da época da viagem. Recomendamos a vocês buscarem aplicativos para celular que façam a conversão cambial instantânea. Para nós foi bastante útil.
Até porque, muito provavelmente estes valores que apresentamos já estejam diferentes agora, em 2018, com a alta do dólar. Mas foi só para dar uma ideia de quanto gastamos para ir de moto para o Atacama no ano passado. Espero que tenha sido útil, e qualquer outra dúvida que possam ter, por favor nos contatem por aqui ou por nossas redes sociais. É sempre um prazer trocar experiências de viagens como esta.
Lembrando que não existe uma forma correta de viajar, cada pessoa tem seus limites, gostos e necessidades. Desde que tomados os devidos cuidados com a segurança do veículo e a revisão dos equipamentos/acessórios, sempre é possível se divertir, seja no camping mais simples ou no hotel mais luxuoso.
Ah, e imprevistos sempre podem acontecer. É importante considerar isso no planejamento dos gastos. Até esquecemos de mencionar os R$ 30,00 da câmara nova para o nosso pneu, que murchou na fronteira… rsrsrs.
As próximas postagens prometem novidades por aí.
Abraços e pé na estrada!

De moto para o Atacama – 17º (e último) DIA

QUARTA-FEIRA, 01/11/2017

Hoje é o dia em que vamos para Porto Alegre, tchau! Voltar para casa. Parece que faz meses que estamos fora. E com certeza, o astral todo da viagem, do Atacama, dos lugares, ainda está pulsando dentro da gente, é uma mistura de saudades já do Atacama, mas ao mesmo tempo, alegria por estarmos voltando. Vocês entendem.

Saímos de São Luiz Gonzaga um pouco mais tarde, por volta das 10 da manhã. A gente costuma evitar a estrada à noite, mas esse caminho já é conhecido. Hoje vamos com calma, bem tranquilos.

Tava tudo muito tranqüilo. Havíamos passado por Ijuí, percebemos que o pneu estava murcho. Paramos em um posto que tinha borracharia, mas ela só ia abrir às 13h30. Calibramos o pneu e esperamos, deu 13h30, 13h40, 13h50 e nada, resolvemos tentar seguir.  No próximo posto, em Bozano, verificamos a calibragem novamente e a existência de mais uma borracharia. Rodamos mais um pouco e dali a pouco, sentimos o pneu murcho de novo. Pelo GPS, vimos que rodamos 7 km depois de sair do posto. Ou seja, teríamos que voltar empurrando a moto por 7 km, no calor das 14h00.

Sem opção na vida, fomos empurrando a moto e rezando para aparecer outro Sr. Marcos na nossa vida. E ele apareceu. O João, estava na pista contrária, indo para Erechim, fez o retorno e parou o carro nos oferecendo ajuda. Assim como o Seu Marcos, ele levou o pneu em uma borracharia naquele posto e pediu para aguardarmos ali. Desta vez, pedimos a ele para dar uma observada de perto no trabalho do pessoal da borracharia, vocês sabem. Logo ele voltou e nos explicou que a borracharia da Argentina fez uma gambiarra nos remendos da câmara furada. Eles se aproveitaram do momento em que o Sr. Marcos se preocupou em ir comprar água e comida para nós, que tapearam ele (e a nós também) na troca da câmara. Colocaram a mesma câmara e começou a vazar ar pelo remendo mal feito. Agora o problema foi resolvido da forma correta.

O João, que é de Erechim, foi outra alma generosa que nos socorreu nesse momento de aperto. O brasileiro quando revela o seu altruísmo, não tem para ninguém. Seguimos na estrada, só fizemos uma rápida parada em Tio Hugo para um pastel com Coca Cola. Depois decidimos pegar a BR-386, que sai em Canoas por Nova Santa Rita, e depois direto pela BR-448, também conhecida como Rodovia do Parque.

Chegamos em Porto Alegre por volta de umas 23h00. Não acreditamos quando enxergamos a Arena do Grêmio no final da rodovia, estávamos em casa. Fomos nessa sensação de torpor misturado com cansaço até cruzarmos o portão do nosso prédio e estacionarmos a moto na nossa vaga da garagem.

Para a posteridade: foram 17 dias de viagem até o Chile, ida e volta. Um total de 7.409,1 km, uma experiência inesquecível. Lamentamos não ter muita foto deste dia, pois estávamos nas últimas do cansaço. Depois de todo este tempo, nossa vontade maior era de chegarmos em casa.

Muito obrigada por ter nos acompanhado nessa expedição maravilhosa. Contamos com a sua companhia nas próximas que virão, ela é muito importante para nós. Na próxima postagem, apresentaremos os nossos gastos totais desta viagem. Agora é descansar e processar a viagem em nossas mentes e corações. Abraços e pé na estrada!

De moto para o Atacama – 16º DIA

TERÇA-FEIRA, 31/10/2017

Bom dia, amigos! Dia de voltar para casa, para o nosso Brasilzão. Dormimos muito melhor do que da outra vez aqui em Corrientes, saímos cedo pois hoje tem aduana de novo.

Nossa única despesa neste dia foi o combustível, pois o pernoite é em São Luiz Gonzaga, na casa dos familiares de novo. Por pouco nossos gastos não são maiores, mas isso é papo para mais adiante. Saímos de Corrientes pela RN12, que é o trecho maior, são 250 km. Ainda vínhamos pensando em tudo que deu certo na viagem, até nos “infortúnios” que acabaram se transformando em algo bom, ou seja, tudo na viagem aconteceu conforme o esperado, para uma primeira viagem deste porte, estava fantástico.

Ao retornarmos à estrada pós pararmos um pouco no acostamento, sentimos o pneu estranho. Adivinha? Furado. Tínhamos recém entrado na RN12, faltava uns 300 km para a fronteira. Ainda tínhamos que pegar a RN120 e RN14.

Encostamos a moto na entrada de uma fazenda, a RN12 não é uma estrada muito movimentada (pelo menos naquele dia), então resolvemos ficar à sombra de uma árvore para trocar a câmara. É nessas horas que vemos o quanto achamos que estamos preparados o suficiente, mas, muitas vezes, estamos longe disso. Não tínhamos a ferramenta específica para separar o pneu do aro, e resolvemos usar uma chave de fenda para isso. Sim, já entendemos que foi uma má ideia. A falta da ferramenta exige um esforço físico maior, é tão mais difícil de tirar que quebrou a ponta da chave de fenda, deixando-a afiada. Exatamente, na hora da troca, conseguimos furar a câmara nova com a maldita chave de fenda.

Aí, pela primeira vez, bateu um desespero. Ainda tentamos pensar que poderia ter acontecido no meio do Chaco ou no meio do Paso de Jama. Poderia ter sido muito pior. Mas isso não tornou a situação menos tensa. Eis que a sorte, ah, a sorte… o dono da propriedade chegou em sua caminhonete branca e nos ofereceu ajuda. Mas pensem em uma ajuda, com A maiúsculo. Ele se ofereceu para levar o pneu no borracheiro, que ficava a 25 km dali, e nós aguardaríamos na sombra da árvore – por precaução, não deixamos a moto sozinha ali. Passada uma meia hora, este ser humano maravilhoso voltou com uma câmara nova na caçamba da sua Hilux, uma garrafa grande de água gelada e dois sanduíches. Por causa da gentileza do Sr. Marcos, esta alma generosa, pois ainda por cima não quis nos cobrar nada pela ajuda, nos foi possível seguir para casa.

Sem outros percalços, chegamos na fronteira em São Borja, passaportes carimbados e “welcome home”. Bate uma emoção em ver a bandeira do Brasil. A gente fala mal e reclama, mas é bom chegar na nossa pátria, nosso idioma, nossa comida, nossa cultura.

Estacionamento da aduana Brasil-Argentina.
Entrada de São Borja/RS.

Agora é só mais 100 kmzinhos pela BR-285 até São Luiz. A essa altura, 100 km para nos é ali na esquina. Chegamos em São Luiz Gonzaga por volta das 20h00, pelo tempo que gastamos (+ ou – duas horas) com a função do pneu furado, chegamos umas duas horas depois do horário previsto, já estava escurecendo até. Nossos familiares pareciam que estavam adivinhando, pois nos aguardavam com a churrasqueira pegando fogo e a carne no espeto. Isso não tem dinheiro que pague.

Hoje é uma noite que temos a certeza de que vamos dormir muito bem, pois a sensação de estar em casa já começa aqui. Acompanhem a nossa volta para Porto Alegre, pois as aventura aqui pelas BRs e RS da vida ainda não acabaram. Abraços e pé na estrada!

 

 

 

De moto para o Atacama – 15º DIA

SEGUNDA-FEIRA, 30/10/2017

A chuva foi tão forte que não poupou algumas pequenas criaturas. Mas nós sobrevivemos. Hora de partir.

Hoje, tirando o calor, vai ser molezinha pegar a reta da RN16 até a ponte General Belgrano, em Corrientes. Os mesmo 442 km. Só precisamos que os postos de combustível estejam nos lugares certos e bem que tivemos sorte até agora. Não comentamos na ida, mas agora na volta percebemos bastante reformas nas duas pistas da RN16, mais precisamente na altura de Resistencia. Como esta viagem foi feita em outubro, talvez agora o cenário esteja um pouco diferente. Talvez.

A viagem seguiu sem grandes percalços, passamos de volta por Pampa Del Infierno, Roque Sáenz Peña, Resistência e logo enxergamos a ponte General Belgrano. Chegamos de volta a Corrientes.

Desta vez, o Hostel Golondrina estava lotado. Cá entre nós, não ficamos tão chateados assim. A própria funcionária deles nos indicou outro hostel em uma praça bem próxima dali, em frente a uma delegacia de polícia. Muito melhor para estacionar a moto. Este hostel não consta no Google, quase não encontramos o endereço. Mas estava ali. Ao entrarmos e fazermos o check in, vimos que este hostel (chamado Hostel Corrientes – nome para não esquecer nunca mais) era mais acolhedor, as instalações eram melhores e, de quebra, também era mais barato. Enquanto o Golondrina cobrou 850 pesos, este cobrou 650. Duzentos pesos faz diferença.

O hostel fica localizado na Calle Buenos Aires, 508, na praça em frente a uma delegacia. Fonte: Google Imagens.
Logo no cartão de visitas do Hostel Corrientes. Fonte: Google Imagens.

Ainda precisávamos comprar mais pesos argentinos, aquela confusão toda nos fez perceber que não eram só nossos pesos chilenos que estavam acabando. Não havia casas de câmbio na redondeza, então recorremos mais uma vez ao nosso novo amigo, Raphael. Ele foi até o hostel e nos socorreu, garantindo nosso tanque cheio do outro dia… hahaha… (gratidão eterna, Raphael!).

Fomos jantar, desta vez paramos em um foodtruck na orla do Rio Paraná e saboreamos uma milanesa com fritas, um hambúrguer e refrigerante (sem cerveja por hoje) por 305 pesos. Já estávamos no espírito da volta para casa, então fomos dormir. Próximo dia, fronteira para o Brasil! Abraços e pé na estrada!

 

 

 

 

De moto para o Atacama – 14º DIA

DOMINGO, 29/10/2017

Bom dia! Partiu Chaco? Aaahhhh… Hoje vamos descer do pé da cordilheira para pegar a RN16 e seguir, em uma reta infinita e além, de volta para Monte Quemado. Mas antes, uma despedida carinhosa de um dos melhores hostels que conhecemos até hoje. Até um dia, Hostel Waira.

Vista do pátio do hostel.

Desta vez, fugimos daquele trecho da RN9 cheio de curvas acentuadas para não corrermos mais o risco de darmos de cara com outro caminhão. Escolhemos fazer um desvio pela RN34, um trajeto mais estável, mais reto.

Vamos abrir um parêntese aqui: na noite anterior, lá em Tilcara, abrimos nossas redes sociais e vimos que um viajante lá do Egito que seguimos no Facebook, chamado Omar Mansour Alfardy, tinha passado uns dias no Brasil e estava vindo para o Atacama de moto também. Não o conhecíamos bem, apenas curtíamos e comentávamos suas postagens. Falamos brincando: “imagina se nos encontramos por aqui pela estrada?”. Rimos e fomos dormir. Fecha parêntese.

Alguns quilômetros depois, já na reta escaldante da RN16, paramos em um posto de gasolina para abastecer, comer alguma coisa e se refrescar. Lá pelas tantas um cara todo “fardado” com roupas de motociclista estava indo em direção ao banheiro, neste mesmo posto. Ao nos avistar ao lado da Ténéré ele falou brincando, em inglês: “ei, essa é a minha moto!”. Lembram do parêntese? Era o Omar! Ele ficou tão impressionado quanto nós pela tamanha coincidência de pararmos ao mesmo tempo naquele posto, disse que se tivéssemos combinado não teria dado tão certo. Esse é o verdadeiro espírito da viagem, conhecer gente nova, gente legal e trocar experiências. E faz uma baita diferença no astral da viagem.

Após conversarmos um tempo com o Omar, após ele nos convidar para visitar Alexandria e nós o convidarmos a visitar Porto Alegre, nos despedimos e cada um seguiu seu caminho. Tivemos a impressão de que a viagem até Monte Quemado foi mais curta desta vez. Não significa que o calor tenha sido melhor. Vai ver nos acostumamos. Aquela paisagem árida, com animais mortos – muitas vezes de sede – pela beira da estrada ainda era a mesma. Tinha trechos de muitos quilômetros sem uma única árvore para fazer sombra. Por isso, a recomendação é sempre pegar esta estrada sempre o mais cedo da manhã possível.

Mais cedo do que pensávamos, chegamos ao Hotel Gran Cacho. Após nos acomodarmos, fomos jantar no restaurante do hotel (onde mais, né?) e pedimos uma pizza e duas Quilmes por 265 pesos.

Neste dia também choveu como da outra vez, mas agora foi uma tempestade para ninguém botar defeito. Ficamos sem luz no hotel, o que significa que ficamos incomunicáveis até o dia seguinte. Não foi de todo ruim, talvez seja até necessário às vezes. Deu uma sensação secreta de liberdade, de desapego. Na chuva, no meio do nada, sem luz, sem celular, sem internet. Não por muito tempo, claro. Mas para dormir, foi ótimo.

Quando pensamos que estamos indo de volta para Corrientes no dia seguinte, percebemos que estamos cada vez mais perto do caminho de casa. Abraços e pé na estrada!

 

 

De moto para o Atacama – 13º DIA

SÁBADO, 28/10/2017

Adivinhem onde tomamos café da manhã para nos despedirmos de San Pedro em grande estilo? Lá mesmo, na Franchuteria. Um croissant saído do forno e um café forte para encarar o frio do Paso de Jama. Pegamos a estrada e, já na RN27, paramos para tirar uma última tomada do nosso querido Licancabur.

Quando dissemos que o mesmo lugar visto com outro olhar torna tudo diferente, estávamos falando exatamente do Paso de Jama. Desta vez estamos mais preparados para a sensação térmica e para os efeitos da altitude. Estamos acostumados com nossas jaquetas e calça de cordura para o frio do RS. A cordilheira é outro nível e te pega de surpresa.

Desta vez, paramos nos Monjes de La Pacana, que fica antes do Salar de Tara. Estes Monjes são formações de pedra esculpidas pelo vento (sim!) ao longo dos anos. Fica em uma região isolada e arenosa, na beira da RN27, a uns 70 km de distância do Licancabur.

Marcamos neste mapa abaixo onde focam os Monjes em relação a San Pedro de Atacama, pela RN27.

Tínhamos programado parar ali no dia em que viemos pela primeira vez, mas o frio estava nos castigando e o cansaço também. Agora era o momento. Caminhar por ali não é para qualquer um. Lembram que estamos no Paso de Jama? Então. Além do frio cortante, tem o efeito da altitude, que te faz quase infartar ao dar cinco passos na areia. Desse efeito da cordilheira definitivamente não sentiremos falta. Mas essa experiência nos fez refletir sobre a importância do cuidado com a saúde, tanto para fazer este tipo de expedição, quanto na vida em geral. Começamos a praticar corrida uns meses antes da viagem e o fôlego extra fez toda a diferença. Em relação ao frio, nos demos conta de que a capa de chuva não protege só da chuva, mas do vento também. Vestí-la por cima das roupas aumentou muito a tolerância àquele clima e tornou a travessia do Paso de Jama mais fácil. Por que não pensamos nisso antes? Fica a dica para as próximas vezes.

Mais uns 50 km e estávamos de volta à fronteira com a Argentina. Desta vez, foi bastante tranquilo, éramos praticamente os únicos ali a fazer a imigração, e a Argentina não é tão rígida quanto o Chile, ou seja, não fizeram nem a revista aduaneira na moto. Todo o processo levou uns 5 minutos no máximo.

A partir daqui a viagem foi semelhante à ida, seguimos da aduana pela mesma rodovia, só que, ao cruzar a fronteira, ela vira RN52.  Seguimos por ela, passamos por Salinas Grandes novamente, até chegarmos em Tilcara depois de 270 km rodados. Aparentemente, ali não é um lugar onde os viajantes para o Atacama costumam ficar, achamos que muitos ficam em Purmamarca. Fomos para o Hostel Waira e novamente conseguimos vaga em um quarto privativo.

Como estávamos no clima de “agora é voltar pelo mesmo lugar” – confessamos que o fato de não poder ir pelo Paso de San Francisco nos deu uma caidinha no ânimo, é normal -, fomos novamente ao La Cheba 1910 para degustar aquela milanesa de lhama, mas desta vez com uma Quilmes bem gelada.

De barriga cheia, é hora de descansar e se preparar psicologicamente para encarar o Chaco novamente. Sim, o próximo trajeto do dia são 400 km, só que naquele calor infernal. Haja anticorpos aqui. Abraços e pé na estrada!

De moto para o Atacama – 12º DIA

SEXTA-FEIRA, 27/10/2017

Para dizer a verdade, não ficamos tão chateados em ter que voltar a San Pedro de Atacama. Esta região do Atacama ganhou um lugar em nossos corações e esperamos voltar muitas vezes. Mas, como relatamos ontem, é feriado no Chile, e isso significa que cada centímetro quadrado desta cidade vai ser disputado por turistas de todo o lugar. Ou seja, não reservamos hospedagem, então provavelmente tenhamos que rodar por um bom tempo atrás de uma vaga em hostel ou até hotel mesmo, mesmo que custe um pouco mais.

Desta vez não subimos pela RN1 para depois descer para San Pedro, desta vez escolhemos subir direto RN5 e depois pegar a RN25. Entre Antofagasta e o acesso à RNA RN25 não possui muitos atrativos, é basicamente a mesma paisagem na maior parte do tempo, algumas indústrias na beira da estrada pela região de Sierra Gorda.

O que quebra um pouco a monotonia são alguns achados chamados Geóglifos de Pintado – desenhos na areia nas encostas dos morros na beira da estrada, e existem teorias de que eles foram feitos por povos pré-Incas há mais de 2.000 anos. Infelizmente só fizemos um ou dois registros (e bem mais ou menos), mas serve para ilustrar.

Geóglifos de Pintado na RN25

É possível encontrar algumas informações sobre estes geóglifos na internet, para quem tiver interesse, segue o link de uma página chilena (na parte superior do site existe a opção para traduzir o conteúdo para a língua portuguesa): http://www.visitchile.com.br/geoglifos-de-pintados/.

Da saída de Antofagasta pela RN5 até o acesso à RN25 deu aproximadamente 120 km, e desta até Calama, onde inicia a RN23, que leva a San Pedro, foram mais 115 km. Finalmente, do início da RN23 até San Pedro foram os mesmos 95 km da ida.

Chegamos em San Pedro de Atacama por volta das 14h30 (hora local) e aí começou a peregrinação em busca de hospedagem. Rodamos praticamente toda a cidade (estava realmente bastante cheia por causa do tal feriado) e desde o hostel mais simples até o hotel mais sofisticado, nenhum tinha vaga, estava todos “full”, como eles diziam. A ansiedade começa a pegar um pouco, pois não tínhamos barraca e talvez nas cidades próximas passaríamos pelo mesmo problema. Depois de duas horas rodando em um calor de matar, conseguimos, finalmente, achar uma vaga no Hotel Amigos, que fica no início da cidade (ao perguntar se tinha vaga, enfatizamos que era só para aquela noite, talvez isso tenha ajudado). Conseguimos um quarto de casal por 30.000 pesos. O hotel ficava um pouco afastado da cidade, era mais tranqüilo e ficava bem de frente para o vulcão Licancabur.

Se bem que, mesmo sentindo o calor e o cansaço, após ver um casal mochileiro fazendo esta mesma peregrinação a pé por hospedagem, pensamos que ainda foi melhor ter feito essa busca sobre duas rodas, a pé deve ser muito mais difícil mesmo.

Neste dia se hospedaram no hotel uma turma de brasileiros em motos BMW. Alguns eram do Paraná e outros de São Paulo. Trocamos alguma ideia e depois cada um foi para o seu lado. Ainda tínhamos que tomar banho e jantar.

Por conveniência (e cansaço), escolhemos jantar de novo no Estrella Negra, pedimos as mesmas quesadillas e a mesma cerveja Austral (em time que tá ganhando não se mexe). Saiu tudo por 17.600 pesos.

Foto da arte na parede do restaurante Estrella Negra.

Passamos no mercado para comprar alguns itens e voltamos para o hotel para descansar dos 327 km rodados neste dia antes de cruzar a fronteira de volta para a Argentina. Abraços e pé na estrada!

De moto para o Atacama – 11º DIA

QUINTA-FEIRA, 26/10/2017

Bom dia! Dia de voltarmos ao estilo “cão arrependido” de volta por onde viemos. Brincadeirinha, de volta para Antofagasta e ver no que dá.

Começamos subindo pela RN5, só que uns 300 km depois a rodovia se divide entre o acesso à RN 1 para seguir costeando o Pacífico e a continuação da RN5, que faz um desvio considerável até.

É uma questão de decidir qual caminho queríamos para ir até Antofagasta. Podemos dizer que ir pela Panamericana dá uns 30 km a mais do que ir reto pela RN1, aproximadamente. Escolhemos voltar novamente pela Panamericana. Pressa para quê?…

Sem novidades na estrada, uns 570 km depois, chegamos em Antofagasta.

Fomos direto para o Eile Hostel, o mesmo que pernoitamos, e, por sorte, tinha vaga no mesmo quarto, que estava vazio, ninguém se hospedou ali depois da turista americana. Mesmo valor, 20.000 pesos o pernoite, com café da manhã.

Pedimos informação sobre casas de câmbio naquela redondeza, pois, como explicamos antes, acabamos ficando no Chile por mais tempo do que o planejado e não tínhamos nada de peso chileno. Este hostel não aceitava dólar, por já ter tido problemas com notas falsas (informação útil para quem um dia quiser se hospedar ali). Nos indicaram uma casa de câmbio a poucas quadras dali, em uma das avenidas principais, a Av. Iquique. Trocamos 150 dólares por 94.000 pesos chilenos. Foi definitivamente o melhor câmbio até agora.

Desta vez fomos conhecer o Shopping Fallabella, que é um pouco mais longe do hotel, mas a caminhada compensa. Já faz um tempo que, nos restaurantes por onde passamos no Chile, vemos nos cardápios pratos “a lo pobre” e nunca perguntamos como eram. Decidimos descobrir por conta e pedimos um prato chamado “Cuarto de Pollo a lo Pobre”, ou seja, um quarto de frango assado com uma porção generosa de molho acebolado e batata frita pela bagatela de 10.000 pesos. Vejam a foto e tirem suas conclusões.

Isso aqui é ou não é comida de guerreiros e guerreiras da estrada? O resto é conversa.

Voltamos, satisfeitos e sonolentos, para o hostel descansar que no outro dia e dia de tentar a sorte em San Pedro de Atacama, pois ouvimos falar que é feriado no Chile, ou seja, vai ser uma disputa por hospedagem. Nos desejem sorte. Um abraço e pé na estrada!

 

 

 

De moto para o Atacama – 10º DIA

QUARTA-FEIRA, 25/10/2017

Décimo dia de viagem, hora de pegar a estrada para Copiapó. Hoje o trajeto é mais longo, serão quase 600 km até lá. Mesmo esquema, saímos cedo do hostel para não correr o risco de chegarmos de noite em Copiapó, pois ainda teríamos que procurar por hospedagem. Fora o cansaço. Mas não vamos sofrer por antecipação, a viagem ainda nem começou… hehehe.

Saímos de Antofagasta pela RN28 para depois acessar a RN5, a famosa Rodovia Panamericana, e descer direto por ela. Obviamente, depois de acessarmos a RN5, paramos 40 km depois para visitar a famosa Mano Del Desierto, monumento emblemático para quem vem visitar o Chile. Fica na beira da rodovia, a 75km do sul de Antofagasta. É uma escultura em grande escala de uma mão, que parece estar saindo da areia e possui 11 metros de altura. Foi erguida em 1992 pelo artista chileno Mário Irarrázabal e diz-se ser uma homenagem às vítimas de tortura durante o regime militar no Chile, que ocorreu nos anos de 1973 a 1990.

Seguimos pela Panamericana, mas fizemos um pequeno desvio para a RN1 para uma cidade chamada Taltal e abastecer em um posto da Petrobrás, recém inaugurado ali. Convertendo para o câmbio da época, a gasolina saiu por R$ 3,82 o litro.

 

Voltamos para a RN5 e concluímos o trajeto sem percalços até Copiapó. Talvez por esta viagem ter sido mais longa, somado ao cansaço e a preocupação com o tanque quase vazio, a impaciência nos dava a falsa  impressão de que estávamos levando uma eternidade para chegar. Eis que, após rodarmos um total de 574 km, chegamos na cidade de Copiapó. Nos permitimos procurar por qualquer tipo de hospedagem, já que havíamos economizado um pouco mais do que esperávamos. Demos uma busca no GPS e ele identificou alguns hotéis na região central da cidade. Escolhemos o Hotel Girasoles, o quarto um pouco pequeno, mas atendeu muito bem às nossas necessidades, ainda mais para um pernoite só. A diária saiu por 35.000 pesos, com café da manhã. Tudo certo até agora. Até agora.

Porém, do nada, o recepcionista do hotel nos perguntou para onde iríamos no dia seguinte, e após respondermos, ele checou no computador uma página sobre os passos fronteiriços e nos informou de que o Paso de San Francisco estava fechado por causa da neve. Isso mudou tudo em relação à nossa viagem! Teríamos que rever todo o nosso planejamento de viagem e concluímos que teríamos que voltar pelo mesmo caminho da ida. E não é apenas sobre o tempo de viagem que aumenta, é todo o planejamento em torno de combustível, pernoite e comida, fora que estávamos com poucos pesos chilenos e nem nos preocupamos em comprar mais, pois no dia seguinte estaríamos cruzando para a Argentina novamente. Agora, teríamos que voltar para Antofagasta e San Pedro de Atacama, ou seja, mais três dias no Chile. Bora buscar casa de câmbio.

Notícia local sobre a situação do Paso de San Francisco em Nov/2017.

Só que imprevistos estão aí para acontecerem, faz parte, bola para frente e para tudo se dá um jeito.  Fomos por partes, primeiro nos acomodamos no quarto, tomamos um banho para tirar o frio, fomos jantar em um restaurante perto do hotel, pois já era tarde, depois, de barriga cheia, repassamos o nosso plano B. Após consultarmos diversas páginas nas redes sociais e sites das fronteiras e das forças de segurança  (gendarmerias) chilenas, confirmamos que o Paso de San Francisco realmente estava fechado. Não adiantaria nem arriscar, sob o risco de não nos deixarem passar e termos que voltar tudo de novo. E este não é um trajeto que dê para ir e voltar à toa.

Decidimos voltar para Antofagasta, San Pedro de Atacama e cruzar a fronteira para a Argentina pelo Paso de Jama novamente. É o jeito. O lado ruim de passar pelos mesmos lugares é que existe um risco de não termos muito algo de novo a acrescentar aqui durante a viagem. O lado bom é que poderemos revisitar cidades que achamos que não voltaríamos tão cedo, como Tilcara. Vamos esperar e ver, às vezes o mesmo lugar visto com olhos diferentes tem um novo significado. Vamos descansar e ver o que esta volta nos reserva. Um abraço e pé na estrada!

 

 

 

De moto para o Atacama – 9º DIA

TERÇA-FEIRA, 24/10/2017

Bom dia! Hora de deixar San Pedro de Atacama e seguir para Antofagasta. Saímos cedo, tomar o último café da manhã maravilhoso na Franchuteria e pegamos a estrada. Seguimos pela RN23 até Calama, deu uns 95 km. Em Calama, pegamos o acesso para a RN24 até Tocopilla, para depois descer pela RN1. Sim, este caminho é mais longo, subimos para depois descer, mas queríamos descer costeando o Pacífico. Rodamos uns 150 km pela RN24 e, no final, a estrada vai contornando as montanhas até que, de repente, o Oceano Pacífico surge na nossa frente. É muito legal saber que cruzamos o continente, só conhecíamos o Atlântico.

Dali descemos 170 km pela RN1 e, antes de chegar em Antofagasta, fizemos uma parada rápida em La Portada, que é um ponto turístico da região, perto do aeroporto Cerro Moreno. Lá encontramos um desfiladeiro de pedra, banhados pelo oceano e uma formação de pedra mais afastada com um buraco ao meio, dando um ar mediterrâneo ao lugar.

Em 30 km chegamos a Antofagasta, que é uma cidade diferente do clima do deserto, é uma cidade grande, urbana, com um tráfego intenso de veículos. Pelo GPS encontramos o Eile Hostel, pegamos um quarto por 20.000 pesos, desta vez, compartilhando com uma hóspede dos EUA, muito simpática, que também estava pernoitando para seguir para Copiapó. Uma coisa interessante que percebemos foi a quantidade de mulheres de meia-idade (e até de terceira idade) mochilando sozinhas pelo mundo, não sabemos se são solteiras, viúvas ou divorciadas, mas isso não importa; o legal é ver que não existe idade para se aventurar e explorar novos lugares, novas formas de vida, novas culturas. Nunca é tarde demais para abraçar as inúmeras possibilidades da vida e elas estão nos ensinando isso muito bem.

Mas, seguimos em frente. Gostamos muito da estrutura deste hostel, bastante limpo, wi-fi com sinal forte e até que é bem localizado.

Fonte: Booking.com
Fonte: Booking.com

Nos instalamos e depois saímos para jantar. O hostel fica perto de um supermercado chamado Lider e um mini shopping, bem à margem da praia Paraíso e de um terminal de pesca. Antofagasta é a capital da província de mesmo nome, e é conhecida popularmente no Chile como a “pérola do Norte”. A principal atividade econômica de Antofagasta é a exploração de minerais, principalmente o cobre.

Fonte: Google Maps

Jantamos na praça de alimentação do mini shopping e comemos uma pizza e tomamos duas latas de refrigerante por 5.200 pesos. É hora de dormir, pois agora seguimos viagem, convidamos vocês a virem conosco para Copiapó. Um abraço e pé na estrada!