De moto para o Atacama – 7º DIA

DOMINGO, 22/10/2017

Segundo dia em San Pedro de Atacama, segundo dia de passeios em lugares fantásticos. Hoje o roteiro é ida aos Ojos Del Salar e às Lagunas Tebenquiche, Miscanti e Miñiques. Mas antes, fomos tomar café da manhã em uma padaria, eleita por nós a melhor do Atacama. Se chama Franchuteria e as especialidades do local são os croissants e as baguetes. Além dos cafés e do chocolate quente, é claro.

Após esse banquete todo, pegamos a RN23 novamente e em 15 km entramos no acesso à Laguna Piedra, e mais 7 km para ir até os Ojos Del Salar. Ali não tinha nenhuma portaria cobrando ingresso, como a Laguna Cejar, que ficava ao lado. Aproveitamos para tirar umas fotos. Os Ojos Del Salar têm esse nome, pois são formados por duas lagoas redondas, uma ao lado da outra que, de cima, se parecem com um par de olhos. Se estivéssemos com uma lente olho de peixe, talvez teríamos conseguido captar melhor as duas lagoas juntas, para dar uma ideia melhor da referência do nome. Mas estamos adquirindo os equipamentos de fotografia aos poucos. Fica para a próxima vez.

Dali rodamos mais uns 3 km até a Laguna Tebenquiche, que achamos a mais bonita até agora, embora a paisagem de todas sejam semelhantes, pois todas são no meio do Salar do Atacama. Pagamos de entrada 2.000 pesos cada um. A guia explicou que ali foram encontradas formas de vida microscópicas muito primitivas, que são responsáveis pela produção de oxigênio (até porque ali não há vegetação) e, assim, manter a sobrevivência do ecossistema daquela região. Algo que um biólogo ou uma bióloga explicaria muito melhor para vocês. Mas, resumindo, é isso.

Devido a estas formas microscópicas habitarem as lagoas, eles solicitam aos visitantes que não entrem na água, como uma iniciativa de preservação. Ficamos admirados sobre como os chilenos têm sempre presente a preocupação com a preservação do seu meio ambiente, e isso se reflete desde a separação do lixo na cidade até a forma como cuidam das formações naturais nos pontos turísticos.

O cuidado com tudo se estende até ao solo, eles construíram caminhos (senderos) por onde devemos percorrer, e é proibido sair destas demarcações. Encontramos um único lugar que oferecia sombra em meio ao salar deserto. Fazia muito calor ali, obviamente, até porque estávamos na mesma altitude de San Pedro de Atacama (2.408 m). Paramos ali e tiramos fotos, mas principalmente, tentamos memorizar este lugar como um templo a ser visitado, dentro das nossas lembranças, toda vez que nos sentirmos ansiosos, cansados ou estressados.

Hora da segunda etapa do passeio de hoje. Após comermos algo, fomos conhecer as Lagunas Miscanti e Miñiques. Para chegarmos lá, pegamos a RN23 e seguimos nela até passamos por Toconao, Socaire e pelo vulcão Lascar. A distância entre a saída das primeiras lagoas (Tebenquiche e Cejar) e o vulcão é de 31 km, e do vulcão até as Lagunas Miscanti e Miñiques é de 61 km. Mas este caminho todo é uma subida e, conforme avançamos, já sentimos o frio e os efeitos da altitude. As Lagunas Miscanti e Miñiques fazem parte da Reserva Nacional Los Flamencos e ficam a 4.136 m de altitude.

A maior dificuldade neste caminho foi quando pegamos um caminho com bolsões de areia, onde corríamos um risco grande de atolarmos. Chegamos a atolar uma vez, e empurrar a moto a esta altitude não é para os fracos. Mas, o resto do caminho foi tranquilo.

Mas calma, ainda não acabou! Estava entardecendo e resolvemos ir conhecer o famoso pôr do sol no Mirador Kari. Pensamos em usar o canhoto de pagamento do Valle De La Luna de ontem, cientes do risco de não nos deixarem entrar, pois este comprovante vale apenas para o dia. Teríamos ido ontem, mas o cansaço nos venceu. Mas o máximo que poderia acontecer seria pagarmos novamente a entrada, então, tentamos a sorte mesmo assim. Chegando na portaria do mirador, uma senhora simpática confirmou que a validade do bilhete é apenas no dia (estava com a data de ontem), mas que, como não viemos ontem, ela nos deixaria passar. O impressionante foi que ela falou com uma convicção, como se ela realmente soubesse quem entra lá e quem sai. Então tá. Agradecemos e entramos.

Realmente a vista é espetacular. Conforme o sol vai se pondo, o seu reflexo nas formações vai se modificando, resultando em efeitos maravilhosos de luz e sombras.

O mais impressionante no final, quando o sol se põe quase que totalmente atrás das montanhas, é o efeito na cor do vulcão Licancabur, que muda e passa a ter tons de roxo e laranja. Um espetáculo da natureza.

Voltamos assim que o sol terminou de se por para evitar o congestionamento no caminho de volta, pois o lugar estava bastante cheio por causa de outros turistas. Subimos na moto e demos no pé. Chegamos no hostel, tomamos um banho e fomos jantar, desta vez em um restaurante pequeno que não nos recordamos o nome, mas a comida era boa e pagamos mais barato desta vez, 12.000 pesos. Neste dia jantamos cedo e rápido, pois ainda teríamos que pegar um supermercado aberto para comprar água e alguns itens, pois decidimos tirar o dia seguinte de folga. Até chegarmos em San Pedro, rodamos em média 400 km por dia, e fizemos mais dois dias de passeio, que deu 200 km por dia. Chega uma hora em que o corpo pede um descanso.

Mas não nos entreguemos, vai ter postagem do terceiro dia de Atacama mesmo assim. Um abraço e pé na estrada!

2 thoughts on “De moto para o Atacama – 7º DIA

  1. Estou acompanhando o relato de vcs!! Maravilhoso!! Meus planos são de vender minha moto atual, comprar uma ténéré 250 e fazer algumas viagens e quem sabe um dia encarar esse roteiro. Parabéns pelo companheirismo dos 2. Um abraço, Willian.

    1. Olá William!
      Ficamos muito felizes com o seu comentário. Muito obrigado por acompanhar. Te desejamos boa sorte se resolveres encarar uma aventura como esta, tens nosso total apoio. Abraços, Cláudio e Aline.

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