De moto para o Atacama – 5º DIA

SEXTA-FEIRA, 20/10/2017

Bom dia! Dia de cruzar a fronteira! Já ouvimos falar que a aduana chilena é bastante exigente e faz um controle bastante rigoroso da entrada dos turistas no país, principalmente no que se refere a entrar com alimentos de origem animal e vegetal. Mas ainda estamos em Tilcara. Acordamos cedo, tomamos um ótimo café da manhã oferecido pelo hostel, e nos preparamos para partir. Quando estávamos arrumando as coisas na moto, o dono do hostel, que também é motociclista, veio falar com a gente, nos dar dicas de onde tinha postos de gasolina e nos desejar uma boa viagem. Gente finíssima. Aliás, foi só o que encontraríamos dali para frente.

Ao pegar a RN52, em um dos trechos de uma subida, já no Paso de Jama, um casal em uma Tiger Explorer 1200cc nos ultrapassou buzinando e fez sinal para pararmos. Vimos a placa de Porto Alegre e vimos que era para nos conhecermos. Paramos, nos apresentamos, eles se chamavam Evany e Carlos, um casal muito simpático e, pelo que conversamos brevemente, com bastante experiência de viagens.

Imagem de nós mais à frente feita por eles no Paso de Jama.

Eles também estavam indo para San Pedro do Atacama, mas ainda iriam para o Peru – o destino final era Macchu Picchu. Trocamos contatos, pois é sempre bom manter trocas de experiências com quem já vivencia isso, e ainda nos cercarmos de pessoas legais, que entendem nosso espírito de fazer viagens como esta.

Seguimos, eles sumiram no horizonte, obviamente (nossa Ténéré 250cc ainda não consegue acompanhar uma Tiger 1200cc… hehehe). Não pudemos deixar de registrar as curvas magníficas da Cuesta de Lipán, a esta altura já a 3.772m.

Depois de uns 70 km de curvas e retas, avistamos Salinas Grandes. Paramos para umas fotos, pois o lugar é belíssimo. A província de Jujuy é realmente linda.

Seguimos pela RN52 e ainda teríamos uns 185km pela frente até chegar à aduana. Enfim, chegamos e já avistamos uns dois ônibus de excursão estacionados lá. Ou seja, a espera vai ser longa. Estávamos estacionando a moto, quando encontramos o Carlos e a Evany, tinham recém passado pela inspeção aduaneira e nos deram dicas de como seria, o tempo de espera e etc. Nos despedimos e entramos com documentos em mãos. Realmente, demorou um pouco, tendo em vista o número de pessoas das excursões, mas o que demorava mais era a demora no atendimento nos guichês. Pois são 04 etapas: 1) carimbar no passaporte a saída da Argentina, 2) carimbar no passaporte a entrada no Chile, 3) fazer o registro do veículo (apresentação de CHN, documentos do veículo, carta verde, etc. e 4) o preenchimento do formulário da aduana para a inspeção (ali é a parte da declaração se trazemos comida, planta ou animais). A inspeção foi rápida, o oficial não revistou tudo (achamos que estavam mais preocupados com as excursões. Em mais ou menos uns 30 ou 40 minutos estávamos liberados.

A partir daí, a rodovia passou de RN52 para RN27. Estávamos prestes a enfrentar altitudes maiores, frio mais intenso e lugares onde não havia nem sinal de telefone. Mas, em frente. Pegamos vento em todo o caminho desde a fronteira com a Argentina até ali, mas a intensidade agora era absurda. A moto simplesmente começava a não dar conta. Não sabemos precisar a velocidade do vento, mas a verdade é que, na maior parte do trajeto, não conseguíamos passar de 50km/h. Conforme subíamos, o vento, o frio e o mal-estar da altitude aumentavam também.

Tínhamos planejado parar nos miradores do Salar de Loyoques, Pacana Caldera e Quebrada Quepiaco, mas desistimos. Chegamos ao pico do trajeto que durou uns 10km, mas pareceu eterno. A altitude chegou a 4.794m. Não conseguíamos raciocinar, o mal-estar da altitude e do frio eram enormes. Mas passamos por umas formações de gelo, blocos imensos que não derretiam com o calor do sol. Apesar do sofrimento físico, nos esforçamos para descer e tirar fotos, esses momentos devem ser aproveitamos, é a essência da viagem, vivenciar tudo ao máximo. Tudo mesmo.

Os sintomas do mal-estar da altitude são exatamente conforme estudamos antes de viajar: vertigem, náusea, falta de ar e cansaço. A respiração deve ser controlada e lenta. Alguns organismos são mais resistentes que outros, talvez algumas pessoas não venham a manifestar todos esses sintomas, mas nós sentimos a maioria deles. Quando passamos pelo controle aduaneiro de acesso à Bolívia, sabíamos que estávamos perto do vulcão Licancabur, queríamos muito vê-lo. O bom é que voltamos a descer, então logo o frio e o mal-estar foi diminuindo. Foi possível parar e tirar fotos do vulcão.

Nos restava apenas 40km para chegarmos em San Pedro de Atacama. Chegamos por volta das 17h00 (hora local), e rodamos pela cidade para achar um hostel. Passamos por dois e não tinha vagas, a concentração turística aqui é muito maior do que as cidades menores por onde passamos. Um deles nos indicou o Hostel Ckappin, que era do mesmo dono deste, e tinha lugar para estacionar a moto. Nos dirigimos para lá e, por sorte, tinham vaga para 04 dias, e melhor, em quarto privado. Havíamos esquecido de comprar pesos chilenos, mas o hostel aceitou pagamento em dólar. O único porém é que no último dia, havia uma reserva para o nosso quarto, mas eles nos trocariam para um privado, apenas era beliche. Deixamos pagos 03 dias (o que deu um total de 100 dólares) e deixamos reservado o 4º dia em outro quarto, por 12 mil pesos.

Como chegamos ao entardecer, não deu para fazermos muita coisa, os passeios se iniciariam no dia seguinte. Apenas saímos para jantar e conhecer o centro de San Pedro. Chegamos ao centro pela praça da cidade, que logo dava acesso à rua Caracoles, que é a principal ali. San Pedro é uma cidade cheia de vida, colorida e alto astral. Passamos antes em uma casa de câmbio para comprar pesos chilenos e, pelos relatos futuros que vocês verão, já fica o conselho: não troquem logo na primeira casa de câmbio, se possível, pesquisem antes. Nesta, 300 dólares nos renderam apenas 180.000 pesos chilenos. Com a fome apertando, entramos em um restaurante chamado Estrella Negra e, por 18.000, pesos pedimos duas porções de quesadillas com duas cervejas Austral Lager bem geladas para acompanhar e fechar nossa primeira noite em San Pedro de Atacama com chave de ouro. Agora é se recolher para o merecido descanso. Fiquem conosco que a partir de agora iniciam os passeios, e temos muitas coisas legais para contar e mostrar. Um abraço e pé na estrada!

 

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