De moto para o Atacama – 3º DIA

QUARTA-FEIRA, 18/10/2017

O calor que fez em Corrientes pareceu um prenúncio do que estaria por vir. Acordamos cedo, dormir não foi muito fácil outra vez, pois a janela do nosso quarto dava para uma rua bem estreita, porém movimentada, onde passava ônibus, inclusive. Mas descansamos o suficiente, saímos do hostel e fomos pela orla até chegar à famigerada ponte General Belgrano. Fomos prestando bastante atenção para sabermos onde entrar para evitar a parte onde é proibida a circulação de motos, que por sinal é onde também fica a barreira da polícia rodoviária. Achamos a entrada certa e nos livramos de uma multa. Colocamos abaixo um esquema que explica o caminho que quem for cruzar esta ponte de moto tem que pegar para evitar problemas com a polícia rodoviária de Corrientes.

Fonte: http://tonaestrada.com.br/dica-como-fugir-da-armadilha-na-travessia-corrientes-x-resistenciaarg/

Subimos a ponte e dali rumaríamos para a RN16, que atravessa a província do Chaco, na região do Chaco Argentino. Já ao sair de Corrientes e entrarmos em Resistencia (que é a capital do Chaco), já achamos que a temperatura estava bastante elevada, mas não tínhamos ideia de que ia piorar. Já haviam nos avisado, “se preparem para atravessar o Chaco, não é mole”, mas só passando pela experiência para se ter noção do calor infernal. Por sorte, decidimos vestir a jaqueta e a calça sem o forro e usamos só uma regata por baixo. Sem o forro, o conjunto da jaqueta e calça fica como de verão, o vento passa através dos furinhos do tecido nos braços e nas pernas. Já quanto às botas e luvas, não teve jeito, mas sobreviveríamos.

E assim, passamos por Roque Sáenz Peña, Pampa Del Infierno (que faz totalmente jus ao nome), sempre em um mesmo cenário, aquela vegetação amarelada de mato queimado pelo ar seco e a alta temperatura. Parávamos assim que avistávamos um posto, para comprar água (a da mochila de hidratação estava quente, óbvio) e descansar um pouco à sombra. Comprávamos as garrafas de 1,5 litro e bebíamos tudo ali, de tão quente. Foi ali que aconteceu algo muito curioso: sempre que parávamos, algumas pessoas vinham puxar assunto e perguntar sobre a moto. Foi aí que descobrimos que a Yamaha Ténéré 250 havia recém chegado na Argentina, então estavam todos muito curiosos sobre ela e faziam muitas perguntas sobre autonomia, velocidade, se era boa para viajar. O que nos forçava a praticar o espanhol, isso foi muito bom. Achamos as pessoas daquela região muito simpáticas.

Na última parada encontramos um grupo de motociclistas de São Paulo, que nos informaram que estava fazendo 42º C ali no Chaco. Não nos surpreendemos nem um pouco. Vale um destaque para a rede de postos de combustível YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), que possui uma ótima infraestrutura. Rodamos mais uns 30 km, e então chegou uma hora em que o cansaço começou a pegar de jeito. Andar por uma reta em um calor que nunca havíamos experimentado antes, chega uma hora em que começa a bater uma ansiedade e a gente só quer chegar. O suor pingava por dentro da roupa. Eis que finalmente chegamos no Hotel Gran Cacho (foto abaixo), em Monte Quemado, cidade da província de Santiago Del Estero. O trajeto deu um total de 442 km de Corrientes até Monte Quemado.

Fonte: Google Imagens

Achamos o hotel bem bom, ar condicionado, wi-fi (que não pegou muito, mas enfim, fica no meio do nada, damos um desconto), chuveiro bom, pelo valor também de 850 pesos, com café da manhã incluído. O desespero que o calor nos causou foi tanto que, ao chegarmos no hotel, largamos tudo de qualquer jeito e nos atiramos no chuveiro e numa garrafa d’água gelada.

Jantamos e demos uma volta do lado de fora do hotel, não esperando ver muita coisa, mas, mesmo à noite foi possível ver o céu nublando e avistamos relâmpagos no horizonte. Esta madrugada prometia um temporal. Fomos dormir cedo, pois tínhamos duas noites acumuladas de sono atrasado. Ainda não sabíamos se no dia seguinte sofreríamos com o mesmo calor na estrada que pegamos até ali, fomos deitar preparando o psicológico e torcendo para que a chuva amenizasse um pouco a temperatura. O próximo relato será sobre como foi pegar a estrada até Tilcara, que fica já no pé da Cordilheira dos Andes. Postaremos fotos, esperamos que gostem. Boa noite e pé na estrada!

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