De moto para o Atacama – 2º DIA

TERÇA-FEIRA, 17/10/2017

Entramos no segundo dia de viagem até San Pedro de Atacama. Acordamos cedo em São Luiz Gonzaga e nos preparamos para, em pouco mais de 100 km, cruzarmos a fronteira argentina. O estranho é que, apesar de a viagem já ter começado quando saímos de casa, em Porto Alegre, apenas hoje tivemos a impressão de que ela realmente começou. Talvez por já termos feito este trajeto antes, não nos pareceu novidade. Sei lá.

Por total falta de costume (pois fazia um tempo que não viajávamos de moto) e talvez pelas condições precárias da BR-285, este trecho de 103 km pareceu mais demorado do que esperávamos. Mas ao passarmos por São Borja, logo avistamos, ao longe, a placa indicando o acesso para a Ponte Internacional da fronteira Brasil-Argentina. A ponte atravessa o Rio Uruguai, não sabia que ele era tão largo, realmente é um rio enorme e muito bonito. Após percorrer aproximadamente 10 km, chegamos à aduana.

Ficamos espantados com a tranqüilidade que foi passar por esta fronteira terrestre em particular, pois estamos acostumados com as filas de aeroportos no setor de imigração, guichês lotados, estávamos esperando ficar horas ali. Qual não foi a nossa surpresa de ver o lugar quase vazio de gente e um carro que outro cruzando as cabines da imigração. Normalmente o processo todo levaria alguns minutos, era só passar com a moto na cabine, apresentar o passaporte, os documentos do veículo e aguardar liberação. Mas ficamos deslocados, pois não conhecíamos esta aduana, e não tínhamos a menor ideia para que lado ir, então gastamos mais de meia hora só batendo cabeça, preenchemos um formulário sem necessidade por não nos darmos ao trabalho de ler um aviso fixado no guichê que dizia que turistas brasileiros que irão apresentar passaporte não necessitam preencher o tal do formulário. Bem isso, aquele nervosismo de quem não viaja há algum tempo. Para muitos pode parecer bobagem, mas temos certeza de que isso acontece com muita gente, podem apostar. Parece sempre que é a nossa primeira vez.

Até que uma moça – brasileira – que trabalha ali, aparentemente percebeu que estávamos que nem cachorro em dia de mudança e resolveu nos abordar perguntando se precisávamos de ajuda. “Sim! Onde tem casa de câmbio por aqui?”. Ela nos apontou o lugar e fomos comprar pesos argentinos antes de cruzar o guichê de imigração. Ali compramos 5.310 pesos argentinos por 300 dólares.

O trâmite aduaneiro foi bem tranqüilo, a moça perguntou para onde iríamos e ficamos na dúvida. Afinal, são 13 cidades, entre Argentina e Chile, por onde começamos? Mas resolvemos começar do começo e falamos que iríamos para Corrientes. Ela fez duas expressões que poderíamos interpretar como: “toda essa parafernália só para ir a Corrientes?”, e depois: “mas tá bom, ok”, carimbou nossos passaportes e nos desejou boas vindas. Logo após cruzar a aduana tem guichês de pedágio que cobram 50 pesos argentinos ou 08 reais. Mais uma etapa vencida, estávamos na Argentina.

Rodamos uns 5 km e já estávamos na RN14, teríamos que percorrê-la para chegar na RN120, o que levou uns 73 km de trajeto. O trajeto maior viria após a RN120, quando chegaríamos à RN12, que nos levaria a Corrientes. Este trecho é de 252 km, segundo nossos cálculos. Logo ao entrarmos na RN12, passamos por uma barreira policial (tem várias por todo o trajeto que fizemos), mas nessa um dos policiais rodoviários fez sinal para paramos. Paramos e ele nos cumprimentou e perguntou de onde viemos e para onde iríamos. Após respondermos ele pediu permissão para dar uma olhada na bagagem instalada na traseira da moto. Pensamos que ele iria pedir para abrir e tudo mais, mas ele só passou a mão por fora da mala, deu mais umas duas apalpadas, agradeceu e nos mandou seguir. Já percebemos que a coisa ali é séria (o que é algo bom).

Passamos por um pedágio e tivemos a alegre constatação de que motos também não pagam pedágio na Argentina. Achamos as estradas muito boas até agora, apenas estranhamos a sinalização, alguns cruzamentos não há indicação de qual destino é para cada lado, as placas estão fixadas após as curvas, ou seja, não tem como saber antes qual o caminho certo, só após dobrar e correr o risco de ter que voltar.

Após rodarmos 250 km, chegamos em Corrientes. Não fizemos reserva no hostel (em nenhum, na verdade, fomos na sorte. Afinal, aventura é isso… rsrsrs). Logo achamos um hostel que havíamos pesquisado, o Bienvenida Golondrina, e pensávamos até aí que era o único hostel da cidade. Tinha vaga em um quarto para casal, o valor do pernoite foi de 850 pesos, com café da manhã incluído. O hostel fica em um casarão antigo, tem uma boa estrutura, wi-fi, um chuveiro maravilhoso e o quarto espaçoso. Corrientes é uma cidade portuária antiga, fundada em 1588, logo, percebemos existem muitos desses casarões antigos por lá. Ela é a capital da província que possui o mesmo nome, Corrientes, e esta província já inicia na fronteira que cruzamos em São Borja, pelo Rio Uruguai. Só ficamos por uma noite, então, após nos instalarmos no hostel, tentamos ao menos conhecer a orla do Rio Paraná, onde a cidade fica à beira. Construíram um calçadão bem espaçoso, onde é possível fazer caminhadas, comer uma milanesa nos foodtrucks que ficam na calçada, sentar nos bancos para tomar um mate e ver o pôr do sol.

Antes da viagem nós conhecemos, através do Facebook, o Raphael, um brasileiro que vive em Corrientes há 3 anos com a esposa, fizemos contato com ele um pouco antes para obter informações sobre hospedagem e sobre um temporal que ocorreu ali uns dias antes. Marcamos de nos encontrarmos e ele apareceu no hostel e, muito na parceria, nos levou para um passeio nos arredores. Ele nos contou algumas coisas sobre a sua mudança para a Argentina (sua esposa é de lá) e das viagens ao redor do mundo que já realizou. Um cara muito legal e com muita experiência de estrada.

Nesta noite também conhecemos o Pablo, ou melhor, o “Pablito Viajero”, um viajante argentino que relata suas experiências de viagem no seu site, redes sociais e canal no Youtube (todos têm o mesmo nome, Pablito Viajero). Ele escreveu um livro, junto com seu irmão Gabriel, chamado “Cruzando Fronteras”, onde constam relatos e fotos das suas aventuras viajando de moto por três países da América do Sul. Conversamos um pouco e trocamos algumas ideias sobre viagens. Descobrimos que já o conhecíamos por causa dos seus vídeos no Youtube… olha, esse mundo é mesmo pequeno.

Terminamos a noite comemorando com uma Quilmes bem gelada, e fomos dormir, pois o dia seguinte seria intenso, pois iríamos atravessar a região do Chaco Argentino. Logo postaremos próximo relato do terceiro dia desta aventura e da nossa experiência atravessando um dos lugares mais quentes da América do Sul. Um abraço e pé na estrada!

 

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