De moto para o Atacama – 16º DIA

TERÇA-FEIRA, 31/10/2017

Bom dia, amigos! Dia de voltar para casa, para o nosso Brasilzão. Dormimos muito melhor do que da outra vez aqui em Corrientes, saímos cedo pois hoje tem aduana de novo.

Nossa única despesa neste dia foi o combustível, pois o pernoite é em São Luiz Gonzaga, na casa dos familiares de novo. Por pouco nossos gastos não são maiores, mas isso é papo para mais adiante. Saímos de Corrientes pela RN12, que é o trecho maior, são 250 km. Ainda vínhamos pensando em tudo que deu certo na viagem, até nos “infortúnios” que acabaram se transformando em algo bom, ou seja, tudo na viagem aconteceu conforme o esperado, para uma primeira viagem deste porte, estava fantástico.

Ao retornarmos à estrada pós pararmos um pouco no acostamento, sentimos o pneu estranho. Adivinha? Furado. Tínhamos recém entrado na RN12, faltava uns 300 km para a fronteira. Ainda tínhamos que pegar a RN120 e RN14.

Encostamos a moto na entrada de uma fazenda, a RN12 não é uma estrada muito movimentada (pelo menos naquele dia), então resolvemos ficar à sombra de uma árvore para trocar a câmara. É nessas horas que vemos o quanto achamos que estamos preparados o suficiente, mas, muitas vezes, estamos longe disso. Não tínhamos a ferramenta específica para separar o pneu do aro, e resolvemos usar uma chave de fenda para isso. Sim, já entendemos que foi uma má ideia. A falta da ferramenta exige um esforço físico maior, é tão mais difícil de tirar que quebrou a ponta da chave de fenda, deixando-a afiada. Exatamente, na hora da troca, conseguimos furar a câmara nova com a maldita chave de fenda.

Aí, pela primeira vez, bateu um desespero. Ainda tentamos pensar que poderia ter acontecido no meio do Chaco ou no meio do Paso de Jama. Poderia ter sido muito pior. Mas isso não tornou a situação menos tensa. Eis que a sorte, ah, a sorte… o dono da propriedade chegou em sua caminhonete branca e nos ofereceu ajuda. Mas pensem em uma ajuda, com A maiúsculo. Ele se ofereceu para levar o pneu no borracheiro, que ficava a 25 km dali, e nós aguardaríamos na sombra da árvore – por precaução, não deixamos a moto sozinha ali. Passada uma meia hora, este ser humano maravilhoso voltou com uma câmara nova na caçamba da sua Hilux, uma garrafa grande de água gelada e dois sanduíches. Por causa da gentileza do Sr. Marcos, esta alma generosa, pois ainda por cima não quis nos cobrar nada pela ajuda, nos foi possível seguir para casa.

Sem outros percalços, chegamos na fronteira em São Borja, passaportes carimbados e “welcome home”. Bate uma emoção em ver a bandeira do Brasil. A gente fala mal e reclama, mas é bom chegar na nossa pátria, nosso idioma, nossa comida, nossa cultura.

Estacionamento da aduana Brasil-Argentina.
Entrada de São Borja/RS.

Agora é só mais 100 kmzinhos pela BR-285 até São Luiz. A essa altura, 100 km para nos é ali na esquina. Chegamos em São Luiz Gonzaga por volta das 20h00, pelo tempo que gastamos (+ ou – duas horas) com a função do pneu furado, chegamos umas duas horas depois do horário previsto, já estava escurecendo até. Nossos familiares pareciam que estavam adivinhando, pois nos aguardavam com a churrasqueira pegando fogo e a carne no espeto. Isso não tem dinheiro que pague.

Hoje é uma noite que temos a certeza de que vamos dormir muito bem, pois a sensação de estar em casa já começa aqui. Acompanhem a nossa volta para Porto Alegre, pois as aventura aqui pelas BRs e RS da vida ainda não acabaram. Abraços e pé na estrada!

 

 

 

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