De moto para o Atacama – 14º DIA

DOMINGO, 29/10/2017

Bom dia! Partiu Chaco? Aaahhhh… Hoje vamos descer do pé da cordilheira para pegar a RN16 e seguir, em uma reta infinita e além, de volta para Monte Quemado. Mas antes, uma despedida carinhosa de um dos melhores hostels que conhecemos até hoje. Até um dia, Hostel Waira.

Vista do pátio do hostel.

Desta vez, fugimos daquele trecho da RN9 cheio de curvas acentuadas para não corrermos mais o risco de darmos de cara com outro caminhão. Escolhemos fazer um desvio pela RN34, um trajeto mais estável, mais reto.

Vamos abrir um parêntese aqui: na noite anterior, lá em Tilcara, abrimos nossas redes sociais e vimos que um viajante lá do Egito que seguimos no Facebook, chamado Omar Mansour Alfardy, tinha passado uns dias no Brasil e estava vindo para o Atacama de moto também. Não o conhecíamos bem, apenas curtíamos e comentávamos suas postagens. Falamos brincando: “imagina se nos encontramos por aqui pela estrada?”. Rimos e fomos dormir. Fecha parêntese.

Alguns quilômetros depois, já na reta escaldante da RN16, paramos em um posto de gasolina para abastecer, comer alguma coisa e se refrescar. Lá pelas tantas um cara todo “fardado” com roupas de motociclista estava indo em direção ao banheiro, neste mesmo posto. Ao nos avistar ao lado da Ténéré ele falou brincando, em inglês: “ei, essa é a minha moto!”. Lembram do parêntese? Era o Omar! Ele ficou tão impressionado quanto nós pela tamanha coincidência de pararmos ao mesmo tempo naquele posto, disse que se tivéssemos combinado não teria dado tão certo. Esse é o verdadeiro espírito da viagem, conhecer gente nova, gente legal e trocar experiências. E faz uma baita diferença no astral da viagem.

Após conversarmos um tempo com o Omar, após ele nos convidar para visitar Alexandria e nós o convidarmos a visitar Porto Alegre, nos despedimos e cada um seguiu seu caminho. Tivemos a impressão de que a viagem até Monte Quemado foi mais curta desta vez. Não significa que o calor tenha sido melhor. Vai ver nos acostumamos. Aquela paisagem árida, com animais mortos – muitas vezes de sede – pela beira da estrada ainda era a mesma. Tinha trechos de muitos quilômetros sem uma única árvore para fazer sombra. Por isso, a recomendação é sempre pegar esta estrada sempre o mais cedo da manhã possível.

Mais cedo do que pensávamos, chegamos ao Hotel Gran Cacho. Após nos acomodarmos, fomos jantar no restaurante do hotel (onde mais, né?) e pedimos uma pizza e duas Quilmes por 265 pesos.

Neste dia também choveu como da outra vez, mas agora foi uma tempestade para ninguém botar defeito. Ficamos sem luz no hotel, o que significa que ficamos incomunicáveis até o dia seguinte. Não foi de todo ruim, talvez seja até necessário às vezes. Deu uma sensação secreta de liberdade, de desapego. Na chuva, no meio do nada, sem luz, sem celular, sem internet. Não por muito tempo, claro. Mas para dormir, foi ótimo.

Quando pensamos que estamos indo de volta para Corrientes no dia seguinte, percebemos que estamos cada vez mais perto do caminho de casa. Abraços e pé na estrada!

 

 

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