De moto para o Atacama – 13º DIA

SÁBADO, 28/10/2017

Adivinhem onde tomamos café da manhã para nos despedirmos de San Pedro em grande estilo? Lá mesmo, na Franchuteria. Um croissant saído do forno e um café forte para encarar o frio do Paso de Jama. Pegamos a estrada e, já na RN27, paramos para tirar uma última tomada do nosso querido Licancabur.

Quando dissemos que o mesmo lugar visto com outro olhar torna tudo diferente, estávamos falando exatamente do Paso de Jama. Desta vez estamos mais preparados para a sensação térmica e para os efeitos da altitude. Estamos acostumados com nossas jaquetas e calça de cordura para o frio do RS. A cordilheira é outro nível e te pega de surpresa.

Desta vez, paramos nos Monjes de La Pacana, que fica antes do Salar de Tara. Estes Monjes são formações de pedra esculpidas pelo vento (sim!) ao longo dos anos. Fica em uma região isolada e arenosa, na beira da RN27, a uns 70 km de distância do Licancabur.

Marcamos neste mapa abaixo onde focam os Monjes em relação a San Pedro de Atacama, pela RN27.

Tínhamos programado parar ali no dia em que viemos pela primeira vez, mas o frio estava nos castigando e o cansaço também. Agora era o momento. Caminhar por ali não é para qualquer um. Lembram que estamos no Paso de Jama? Então. Além do frio cortante, tem o efeito da altitude, que te faz quase infartar ao dar cinco passos na areia. Desse efeito da cordilheira definitivamente não sentiremos falta. Mas essa experiência nos fez refletir sobre a importância do cuidado com a saúde, tanto para fazer este tipo de expedição, quanto na vida em geral. Começamos a praticar corrida uns meses antes da viagem e o fôlego extra fez toda a diferença. Em relação ao frio, nos demos conta de que a capa de chuva não protege só da chuva, mas do vento também. Vestí-la por cima das roupas aumentou muito a tolerância àquele clima e tornou a travessia do Paso de Jama mais fácil. Por que não pensamos nisso antes? Fica a dica para as próximas vezes.

Mais uns 50 km e estávamos de volta à fronteira com a Argentina. Desta vez, foi bastante tranquilo, éramos praticamente os únicos ali a fazer a imigração, e a Argentina não é tão rígida quanto o Chile, ou seja, não fizeram nem a revista aduaneira na moto. Todo o processo levou uns 5 minutos no máximo.

A partir daqui a viagem foi semelhante à ida, seguimos da aduana pela mesma rodovia, só que, ao cruzar a fronteira, ela vira RN52.  Seguimos por ela, passamos por Salinas Grandes novamente, até chegarmos em Tilcara depois de 270 km rodados. Aparentemente, ali não é um lugar onde os viajantes para o Atacama costumam ficar, achamos que muitos ficam em Purmamarca. Fomos para o Hostel Waira e novamente conseguimos vaga em um quarto privativo.

Como estávamos no clima de “agora é voltar pelo mesmo lugar” – confessamos que o fato de não poder ir pelo Paso de San Francisco nos deu uma caidinha no ânimo, é normal -, fomos novamente ao La Cheba 1910 para degustar aquela milanesa de lhama, mas desta vez com uma Quilmes bem gelada.

De barriga cheia, é hora de descansar e se preparar psicologicamente para encarar o Chaco novamente. Sim, o próximo trajeto do dia são 400 km, só que naquele calor infernal. Haja anticorpos aqui. Abraços e pé na estrada!

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