De moto para o Atacama – 10º DIA

QUARTA-FEIRA, 25/10/2017

Décimo dia de viagem, hora de pegar a estrada para Copiapó. Hoje o trajeto é mais longo, serão quase 600 km até lá. Mesmo esquema, saímos cedo do hostel para não correr o risco de chegarmos de noite em Copiapó, pois ainda teríamos que procurar por hospedagem. Fora o cansaço. Mas não vamos sofrer por antecipação, a viagem ainda nem começou… hehehe.

Saímos de Antofagasta pela RN28 para depois acessar a RN5, a famosa Rodovia Panamericana, e descer direto por ela. Obviamente, depois de acessarmos a RN5, paramos 40 km depois para visitar a famosa Mano Del Desierto, monumento emblemático para quem vem visitar o Chile. Fica na beira da rodovia, a 75km do sul de Antofagasta. É uma escultura em grande escala de uma mão, que parece estar saindo da areia e possui 11 metros de altura. Foi erguida em 1992 pelo artista chileno Mário Irarrázabal e diz-se ser uma homenagem às vítimas de tortura durante o regime militar no Chile, que ocorreu nos anos de 1973 a 1990.

Seguimos pela Panamericana, mas fizemos um pequeno desvio para a RN1 para uma cidade chamada Taltal e abastecer em um posto da Petrobrás, recém inaugurado ali. Convertendo para o câmbio da época, a gasolina saiu por R$ 3,82 o litro.

 

Voltamos para a RN5 e concluímos o trajeto sem percalços até Copiapó. Talvez por esta viagem ter sido mais longa, somado ao cansaço e a preocupação com o tanque quase vazio, a impaciência nos dava a falsa  impressão de que estávamos levando uma eternidade para chegar. Eis que, após rodarmos um total de 574 km, chegamos na cidade de Copiapó. Nos permitimos procurar por qualquer tipo de hospedagem, já que havíamos economizado um pouco mais do que esperávamos. Demos uma busca no GPS e ele identificou alguns hotéis na região central da cidade. Escolhemos o Hotel Girasoles, o quarto um pouco pequeno, mas atendeu muito bem às nossas necessidades, ainda mais para um pernoite só. A diária saiu por 35.000 pesos, com café da manhã. Tudo certo até agora. Até agora.

Porém, do nada, o recepcionista do hotel nos perguntou para onde iríamos no dia seguinte, e após respondermos, ele checou no computador uma página sobre os passos fronteiriços e nos informou de que o Paso de San Francisco estava fechado por causa da neve. Isso mudou tudo em relação à nossa viagem! Teríamos que rever todo o nosso planejamento de viagem e concluímos que teríamos que voltar pelo mesmo caminho da ida. E não é apenas sobre o tempo de viagem que aumenta, é todo o planejamento em torno de combustível, pernoite e comida, fora que estávamos com poucos pesos chilenos e nem nos preocupamos em comprar mais, pois no dia seguinte estaríamos cruzando para a Argentina novamente. Agora, teríamos que voltar para Antofagasta e San Pedro de Atacama, ou seja, mais três dias no Chile. Bora buscar casa de câmbio.

Notícia local sobre a situação do Paso de San Francisco em Nov/2017.

Só que imprevistos estão aí para acontecerem, faz parte, bola para frente e para tudo se dá um jeito.  Fomos por partes, primeiro nos acomodamos no quarto, tomamos um banho para tirar o frio, fomos jantar em um restaurante perto do hotel, pois já era tarde, depois, de barriga cheia, repassamos o nosso plano B. Após consultarmos diversas páginas nas redes sociais e sites das fronteiras e das forças de segurança  (gendarmerias) chilenas, confirmamos que o Paso de San Francisco realmente estava fechado. Não adiantaria nem arriscar, sob o risco de não nos deixarem passar e termos que voltar tudo de novo. E este não é um trajeto que dê para ir e voltar à toa.

Decidimos voltar para Antofagasta, San Pedro de Atacama e cruzar a fronteira para a Argentina pelo Paso de Jama novamente. É o jeito. O lado ruim de passar pelos mesmos lugares é que existe um risco de não termos muito algo de novo a acrescentar aqui durante a viagem. O lado bom é que poderemos revisitar cidades que achamos que não voltaríamos tão cedo, como Tilcara. Vamos esperar e ver, às vezes o mesmo lugar visto com olhos diferentes tem um novo significado. Vamos descansar e ver o que esta volta nos reserva. Um abraço e pé na estrada!

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *