De moto para o Atacama – 1º DIA

SEGUNDA-FEIRA, 16/10/2017

          Esta viagem para o Chile começou a ser planejada com uns 06 meses de antecedência, pouco tempo até para alguns. Mas o sonho de realizá-la já tem uns 06 anos, desde a aquisição da primeira moto em 2011. Desde aquela época já imaginávamos uma vida viajando sobre duas rodas, em todos os lugares imagináveis. Bom, esse é apenas o começo. Sem mais delongas, aqui inicia o relato desta experiência incrível que foi a viagem até o Deserto do Atacama, no Chile, passando antes por estradas e cidades argentinas que nunca imaginaríamos conhecer. Já havíamos feito viagens de moto, mas sempre para lugares relativamente próximos, como a serra gaúcha, litoral, no máximo até a Serra do Rio do Rastro/SC, mas nunca por muitos dias, sempre feriados ou fins de semana. Esta viagem foi planejada para durar 17 dias, atravessando para o Chile pelo Paso de Jama e voltando pelo Paso de San Francisco, pernoitando em 13 cidades no total. É outro nível, totalmente algo novo.

Os dias que antecederam o primeiro dia da viagem foram de pura ansiedade. Talvez alguns (ou muitos) de vocês já passaram por isso quando começaram um projeto como esse. Ou não, afinal cada pessoa vivencia as experiências da sua maneira. O planejamento é fundamental, mas a primeiríssima lição já aprendida aqui é o cuidado com a mania de perfeição e a autocobrança em excesso. Procuramos pensar sempre que era a nossa primeira aventura em duas rodas para um lugar tão longe, então não tínhamos também o conhecimento suficiente de tudo que envolve uma viagem como essa para ter a certeza de que estava tudo sob “controle”. Ao pegar a estrada, tudo pode acontecer, assim como na vida. Muitas coisas foram sendo aprendidas no caminho, inclusive, e deu tudo certo. Também já viajamos antes para fora do país, mas sempre de avião. Como eu disse antes, agora é outro nível, uma nova forma de ver o mundo.
Assim, tudo foi ocorrendo dentro do esperado, conseguimos pesquisar e planejar algumas coisas antes, outras foram deixadas para o último minuto (porque já esperávamos que isso fosse acontecer). Até a hora que deitamos para dormir, era aquela sensação de que a ficha ainda não tinha caído. Era um tal de “vamos agilizar antes e tirar o último dia para descansar”, “vamos dormir cedo para pegar a estrada descansados”. Hahaha, que nada, o dia inteiro até quase meia-noite e era uma correria para lá e para cá, conferindo bagagem, documentos, equipamentos. Mas, enfim, chegou a manhã da viagem. Na medida em que vestíamos equipamentos, jaqueta, calça, bota, montávamos a bagagem na moto, parecia que o espírito já começava a se preparar para o desconhecido.

A saída de Porto Alegre foi bastante tranqüila, passando Canoas escolhemos ir pela BR-287, via Santa Cruz do Sul, depois subimos por Cruz Alta até Ijuí para pegar a BR-285 até São Luiz Gonzaga e ali ficaríamos na primeira noite, pois além de termos familiares nesta cidade – para aquele pouso amigo -, já sairíamos pela fronteira de São Borja, pois São Luiz fica a uns 100 km da Ponte Internacional e logo já tem a aduana para o lado argentino. Percorremos um total de 520 km de Porto Alegre até São Luiz Gonzaga e o tempo de viagem foi de aproximadamente 7 horas.

Não é a primeira vez que vamos a São Luiz Gonzaga por este caminho, mas este teve um significado diferente, já observamos a estrada em uma lente diferente, pois desta vez conseguimos (pelo menos no começo… rsrsrs) pensar o trajeto todo como parte da viagem, e não apenas focar no destino, na chegada. Apenas o que não mudou em nossa visão, infelizmente, foi a questão da qualidade das estradas por aqui pelo RS. Pensamos que vale destacar a falta de investimento na estrutura das rodovias federais (e estaduais também). Pegamos muitos buracos durante este trajeto, e elegemos como os piores trechos os da RS-400 de Candelária até Sobradinho e o da BR-285 de São Luiz Gonzaga até a entrada da Ponte Internacional, em São Borja. Mas, entre uma buraqueira e outra, chegamos bem.
Dormir foi difícil à noite, pensando em tudo que estaria por vir na estrada até lá, mas vencemos o primeiro dia e na manhã seguinte já estávamos prontos para rodar como nunca havíamos rodado até agora. Fiquem ligados na continuação do nosso relato do segundo dia de viagem, já em terras argentinas. Um abraço e pé na estrada!

2 thoughts on “De moto para o Atacama – 1º DIA

  1. Espetacular! Estou entrando nos seis meses de preparação para a minha viagem. A minha história e de minha mulher são parecidas com a de vcs, inclusive a moto é a mesma!!!! Irei seguir o post de vocês para planejar minha viajem! Um Grande abraço.

    1. Olá Natan! Muito obrigada pelas palavras e por nos acompanhar. Ficamos felizes de saber que compartilhamos dessa mesma paixão. Estamos à disposição para qualquer dúvida que tiveres, pode nos contatar por aqui ou por nossas redes sociais. Fica ligado que tem mais planos de viagens surgindo por aí. Grande abraço!

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